sábado, 2 de maio de 2009

Conheça os 10 maiores comediantes americanos do cinema antigo


Enquanto a comédia britânica vem dos diálogos afiados e a brasileira do ambiente circense, a comédia americana nasceu nos palcos dos burlescos vaudeville. Essa baratíssima forma de entretenimento popular, febre no começo do século 20, unia dança, comédia, drama e até strip-tease e muitos grandes artistas de cinema, inclusive Chaplin, começaram aí.

Os primeiros filmes mudos traziam a fórmula desenvolvida nos teatros, especialmente no tocante à piada física (onde a pessoa cai, estapeia, se machuca para fazer os outros rirem). E também daí que veio a tradição americana dos one man show, comediantes que sozinhos no palco, contam piadas e zombam de situações cotidianas. Se Charles Chaplin foi o grande rei da comédia antiga e Lucille Ball a rainha da televisão, então podemos concluir que este reino era repleto de súditos especialistas na arte de rir. Confirma a seguir os grandes nomes da comédia americana que fizeram o mundo gargalhar dos anos 10 aos anos 60:

Keystone Cops: foi uma série de curtas produzida por Mack Sennet entre 1912 e 1917 com um esquadrão de polícia totalmente atrapalhado. Eram famosos pelas cenas ousadas envolvendo carros e trens e pelos acidentes bizarros que causavam. O comediante Roscoe "Fatty" Arbuckle, que depois viu sua carreira afundar devido a um processo de estupro de uma menor, começou nesse grupo, assim como Charles Chaplin.

Harold Lloyd: foi um dos mais populares atores do filme mudo, tendo feito mais de 200 filmes entre 1914 e 1947. Com cara de bebezão, Lloyd arriscava a vida por uma boa piada, como em Safety Last de 1923, onde escala um prédio pelas paredes externas, sem proteção e ainda acabou perdendo dois dedos na explosão de uma bomba em um de seus filmes. Além disso, era fotógrafo profissional e chegou a retratar nus de Bettie Page e Dixie Evans para revistas masculinas.

Buster Keaton: o homem que nunca sorria, eleito um dos maiores diretores e atores de todos os tempos pela revista Entertainment Weekly e pelo American Film Institute, era outro que punha sua integridade física a serviço do riso. Em A General, anda em rodas de um trem em movimento. Em Steamboat Bill Jr., ficou famosa a sua cena onde a fachada de uma casa cai inteira sobre ele, e o rapaz se salva graças a uma janela aberta que passa por seu corpo. Apareceu, depois de velho, em Luzes da Ribalta de Chaplin, em A Volta ao Mundo Em 80 Dias e ainda em um episódio da série de TV, Twilight Zone.

O Gordo e o Magro: o inglês Stan Laurel e o americano Oliver Hardy formaram uma das duplas mais conhecidas da comédia americana. Oficialmente a reunião ocorreu no filme The Second Hundred Years de 1927 e durou até final dos anos 50. Misturando comédia física e até violentas com piadas finíssimas, incorporavam o espertão Hardy que sempre sabe tudo e se dava mal e o inocente e chorão Stanley. Na realidade, o gênio da dupla era o inglês que bolava os roteiros e as situações. A união entre os dois era tão forte que combinaram verbalmente nunca aparecerem nas telas sozinhos e mesmo anos depois da morte de Oliver, Laurel recusou papéis em nome da promessa.

Os 3 Patetas: os irmãos Howard e seu amigo de infância Larry Fine eram os reis da comédia violenta e ultrajante que fizeram sucesso não só no cinema, mas também na adaptação para a TV. Começaram a trabalhar juntos em 1925 e a carreira durou até os anos 70, com várias alterações no elenco. A primeira formação do grupo foi com Moe, Larry e Shemp Howard, mas o último abandonou o grupo sendo substituído pelo irmão, Curly. Em 1946, Curly teve um derrame e Shemp voltou ao grupo, mas 11 depois morreu de um súbito ataque cardíaco. Entra em cena Joe Besser, que, para tristeza dos fãs, incluiu em seu contrato que não poderia apanhar de Moe ou Larry (exigência que acabou caindo depois, desde que ele pudesse revidar). A Columbia decidiu acabar com o trio, já que era considerado "ultrapassado", mas o sucesso de seus curtas na TV, fizeram com que o estúdio voltasse atrás e colocasse os comediantes de volta no cinema em longas. Começa aí a fase onde Joe de Rita, conhecido por Curly-Joe, participa como o terceiro pateta. Tanto Moe quanto Larry morreram em 1975 e deixaram saudade para muita gente.

Os Irmãos Marx: Groucho, Chico e Harpo Marx levaram literalmente o seu show de vaudeville para as telas de cinema. O trio era tão afiado que chegou um ponto onde não tinham script, só situações a serem interpretadas (à caótica maneira deles, óbvio). Groucho ficava com as piadas verbais e tiradas sarcásticas, enquanto Harpo sempre interpretava um mudo e era famoso por suas gags visuais, tão imitadas depois pelos desenhos animados de Pernalonga ou Pica-Pau. Chico fazia o tipo italiano e era a ponte para as situações. Seus filmes se dividem em duas fases: na Paramount, onde se concentram as melhores obras do trio e depois na MGM, RKO e United Artists. Foi na Metro que estrearam sua comédia mais famosa, Uma Noite na Ópera (que depois virou nome de disco do Queen, assim como A Day at The Races). Além disso, tinham seu próprio programa de rádio e Groucho ainda foi o apresentador de bem-sucedido programa de TV de competição com perguntas e respostas, You Bet Your Life. Nesse último os convidados não tinham medo das perguntas de Groucho e sim das suas réplicas. Ao entrevistar uma moça que nos anos 50, era a única mulher em seu local de trabalho, ele perguntou: "Você não é muito assediada?". E ela respondeu: "quando alguém passa do limite, eu mostro minha aliança". E na hora, o comediante atacou: "mas o anel só protege um dedo!". Genial.

W. C. Fields: ator, comediante e ilusionista, Fields criou em seus filmes um dos maiores personagens da primeira metade do século 20, um beberrão avesso a pessoas que acabava atraindo a simpatia de todos, apesar de seus conceitos distorcidos e sobre cruéis sobre cachorros, crianças e mulheres. Sua interpretação era tão convincente que as pessoas achavam que ele era daquele jeito na vida real, embora, muitos anos após sua morte em 1946, alguns conhecidos afirmaram que Fields tinha algumas características de sua criação. A famosa frase, "eu nunca bebo água porque os peixes fazem coisas nojentas nela", é de sua autoria.

Abbot e Costello: mais uma dupla genial que fez muito sucesso lá fora e é pouco conhecida aqui no Brasil. Foram a maior bilheteria de 1942 e seus filmes constaram entre os 10 mais rentáveis dos EUA até 1952, quando partiram para a televisão. Abott era o irritadiço amigo de Costello, um gordinho com cara de puro, invertendo a situação que vimos com Laurel and Hardy. Trabalharam juntos até o final dos anos 60.

Jerry Lewis: quem nunca se divertiu com os filmes de Jerry Lewis, acompanhado ou não de Dean Martin? Considerado um gênio da comédia pelos franceses, Lewis unia comédia física com piadas beirando o surreal com o a da máquina de escrever invisível em Errado para cachorro. Sua parceria com Martin começou em shows em bares e palcos e acabou devido a desentendimentos entre suas esposas. Mesmo sozinho, Lewis escreveu, dirigiu e protagonizou comédias fantásticas como O Professor Aloprado, O Terror das Mulheres e O Cinderelo Trapalhão, sendo que em algumas fazia vários papéis. Afastado a anos das telas, especialmente devido a dores em suas costas causadas por uma queda de um piano em um show de 1965, Lewis é o criador e apresentador do Teleton.

Peter Sellers: o ator inglês migrava da comédia para o drama e personificou o palhaço triste em sua vida real. Sua maior característica era fazer vários personagens num mesmo filme, como em Dr. Fantástico de Stanley Kubrick onde interpreta o Tenente Mandrake, o presidente dos EUA e o Dr, Strangelove ou em Rato que ruge onde personificava a Gran Duquesa Gloriana XII, o primeiro-ministro Conde Rupert Mountjoy e o militar Tully Bascombe. Ficou conhecido por ter interpretado o Inspetor Clouseau em cinco filme da série A Pantera Cor de Rosa e pela hilariante comédia Um Convidado Bem-Trapalhão.

fonte: Claudio R S Pucci (Terra cinema)

Um comentário:

Vlademir Almeida disse...

Peter Sellers não era americano,
mas sem dúvidas, o melhor depois
do cinema falado.
Roubava a cena sendo o principal
ou coadjuvante, não precisou ser
careteiro (Jerry Lewis, Jim Carrey)
e sim usar da sua genialidade como
ator cômico, um olhar, uma trapalhada, um sorriso ingênuo,
ninguém foi melhor.