terça-feira, 18 de novembro de 2008

Conheça os filmes com os títulos inesquecíveis


O site Entertainment Weekly divulgou uma lista enumerando os títulos mais inesquecíveis de filmes. O próprio público escolheu 27 filmes cujos títulos se destacavam de alguma maneira.

Sem posições definidas, clássicos se misturaram com comédias e filmes de ação e suspense, como Janela Indiscreta (1954), Um Corpo que Cai (1958) e Interlúdio (1946), de Alfred Hitchcock.

Alguns clássicos da Sessão da Tarde (exibidos na Rede Globo), como as trilogias De Volta para o Futuro (1985) e Um Tira da Pesada (1984), além de Viva! A Babá Morreu! (1991), também foram citados.

Títulos com repetições de palavras também deixaram sua marca, como Corra Lola, Corra (1998), Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965) e Maratona do Amor (2007), cujo título original é Run, Fatboy, Run.

O maior número de indicações de títulos dos leitores foi das comédias. Foram citados nomes explicativos - como O Virgem de 40 Anos (2005), Bill & Tedd - Uma Aventura Fantástica (1989) e Zack and Miri Make a Porno (2008) - e engraçados, como Cara, Cadê Meu Carro? (2000).

Também fazem parte da lista os longas Três Homens em Conflito (1966), que originalmente se chama The Good, The Bad and the Ugly (o bom, o mau e o feio, em tradução literal), e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1999).

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

História do Rock no Cinema – parte 16: Punks

O primeiro filme de ficção que pode ser chamado de punk, não só no visual mas também nos ideais, foi o britânico Jubilee, dirigido por Derek Jarman em 1977. Inicia com a rainha Elisabeth I numa viagem no tempo do século 16 até ao final dos anos 1970, quando encontra a Inglaterra imersa na anarquia, com violência reinando nas ruas e o Palácio de Buckingham como um estúdio para gravação de bandas punk. A estrutura do filme é episódica e mostra um grupo de niilistas em diversas situações. Há participações de Adam Ant dois anos antes de se tornar um cantor de sucesso e da banda Siouxsie & The Banshees em início de carreira. A trilha sonora ficou a cargo de Brian Eno.

Bandas nas telas

Roger Corman, o lendário diretor e produtor de filmes B, não poderia deixar de faturar alguns trocados com o gosto musical dos jovens. Resolveu atacar como produtor e, em 1979, concebeu um filme que se passava numa escola e tinha a música como tema central. O título deveria ser Disco High. Sim, seria sobre disco music. Por sorte, alguém o convenceu a utilizar o rock e o filme virou Rock ‘n’ Roll High School (alguns outros títulos foram considerados antes de se chegar a esse). Vários nomes foram cogitados para estrelar a parte musical do filme, entre eles Todd Rundgren, Cheap Trick, Tom Petty, Devo e Van Halen. Num dado momento, os Ramones foram sugeridos e acabaram escolhidos. Para dirigir o filme, foi contratado Allan Arkush, que ficou doente no final das filmagens e foi substituído por Joe Dante. Conta a história de uma garota grande fã dos Ramones e quer mostrar a letra que compôs para o grupo. Na sua escola, a nova diretora reprime o interesse dos alunos pelo rock. A banda aparece tocando várias músicas e ainda há vários outros astros na trilha sonora, como Chuck Berry, Devo, MC5, Brian Eno e Alice Cooper. É um filme muito divertido, que se tornou cult e influenciou inúmeros filmes escolares da década de 80. Essencial para qualquer um que goste de Ramones, mas infelizmente ainda não foi lançado em DVD no Brasil. Há uma continuação, de 1990, chamada Rock ‘n’ Roll High School Forever, mas nem chega perto do espírito do original.

Outra banda que estrelou um filme foi o The Clash em Rude Boy, de 1980, dirigido por Jack Hazan e David Mingay. É um semidocumentário sobre um rapaz que se torna roadie da banda. A história dele é ficção, os shows do The Clash são reais e as manifestações públicas também. O resultado final não agradou a banda, a parte ficcional é bem amadora, sendo que a produção nem circulou muito fora da Inglaterra. Só recentemente chegou em solo americano no formato DVD e tem uma opção no menu para ver somente as apresentações da banda, o que realmente interessa no filme.

Richard Hell é considerado um dos primeiros punks, foi baixista do Television e depois montou sua própria banda, o Richard Hell and The Voidoids, que lançou a canção "Blank Generation", um dos hinos de sua época. Esse é o mesmo título de um filme de 1980 dirigido pelo alemão Ulli Lommel. (Não confunda com The Blank Generation, média metragem de 1976.) A produção estrelada por Richard Hell, que também assina o roteiro, conta a história de uma jornalista francesa que se envolve com um astro punk. O diretor inspirou-se no filmes de Godard, com cortes abruptos e digressões sobre algum assunto, talvez por isso não tenha sido bem aceito na época. Desperta a curiosidade pelas cenas no CBGB, por mostrar a imagem que os punks tinham de si próprios e para ver o baterista dos Voidoids, Mark Bell, que depois se tornaria Marky Ramone.

Também existiam garotas que formavam bandas punks, é o que mostra o filme canadense Ladies and Gentlemen, The Fabulous Stains, dirigido por Lou Adler em 1981. Estrelado pelas jovens Diane Lane e Laura Dern, tem a participação de Steve Jones, Paul Cook, ambos do Sex Pistols, e Paul Simonon, do The Clash. O filme teve um lançamento pequeno nos cinemas e só encontrou seu público mesmo alguns anos depois, na televisão a cabo. Permanece inédito em DVD.

Filmes de Alex Cox

Alex Cox é um diretor britânico que expressou sua simpatia pelo punk em alguns de seus filmes. O primeiro foi Repo Man – A Onda Punk, de 1984, estrelado por Emilio Estevez, conta a história de um jovem punk que consegue um emprego como “repossesion man”, a pessoa encarregada de recuperar carros cujos compradores não pagaram suas prestações. A aventura segue quando recupera um carro com uma estranha maleta no porta-malas e é perseguido por alienígenas. Integrantes da banda Circle Jerks aparecem em pequenos papéis e participam da trilha sonora, que também inclui Suicidal Tendencies, Black Flag e Iggy Pop cantando a faixa-título.

No seu filme seguinte, Cox mergulhou de vez no punk ao contar a história do trágico romance entre Sid Vicious e Nancy Spungen. Ao invés de retratar de forma realista o baixista do Sex Pistols, preferiu foi colocar na tela a imagem pública e as lendas a respeito dele em Sid & Nancy – O Amor Mata, lançado em 1986. Tudo que se pensa a respeito do casal está no filme, que não se preocupa com a fidelidade a fatos históricos. Gary Oldman “incorpora” Sid Vicious de forma muito convincente e até canta algumas canções na trilha sonora. Estão presentes na trilha Joe Strummer, The Pogues e Circle Jerks, mas não há nenhuma canção do Sex Pistols ou de Sid Vicious. Para o papel de Nancy, várias atrizes foram testadas, entre elas estava a jovem Courtney Love que impressionou bastante o diretor, mas os investidores queriam uma atriz com mais experiência e a escolhida foi Chloe Webb, que se saiu bem no papel. Como consolação, Courtney ganhou o papel de uma das amigas junkies de Nancy. O filme foi execrado por John Lydon (ou Johnny Rotten, vocalista dos Pistols), que disse que era somente uma fantasia sobre a vida de Sid Vicious e que apresentava inúmeros erros. Quando perguntado se havia algo real no filme, Lydon respondeu: “Talvez o nome Sid”.

O trabalho seguinte de Alex Cox foi um faroeste chamado Straight to Hell, de 1987. Neste conseguiu escalar Courtney Love para papel principal e completando o elenco estão vários músicos: Joe Strummer, Elvis Costello e os integrantes das bandas Circle Jerks, The Pogues e Amazulu. Assim como a maioria dos filmes de Cox, a fita não foi bem recebida na época, mas teve seus fãs e não acabou esquecido. Alguns anos depois, Courtney Love formaria uma banda, conheceria Kurt Cobain e continuaria sua carreira no cinema, mas isso é uma história para ser contada mais para a frente.

Filmes sobre punks

Outra produção de Roger Corman, Suburbia, dirigida por Penelope Spheeris em 1984 (não confundir com subUrbia, de Richard Linklater), retrata um grupo de jovens punks que se rebelam contra suas famílias. A produção traz alguns músicos no elenco, como o jovem Flea, do Red Hot Chili Pepers, e a tem participação de bandas como T.S.O.L. e The Vandals.

A produtora Troma, responsável por diversos filmes B cheios de sangue e humor negro, lançou em 1996 uma versão punk de um clássico de Shakespeare com o título Tromeo and Juliet. Com uma história atualizada e carregada de violência e sexualidade, além de uma boa dose de irreverência, o filme é uma espécie de “clássico romântico” da produtora. O responsável pela narração da história é o Lemmy, do Motorhead.

Um bom registro sobre os punks foi feito em SLC Punk!, dirigido por James Merendino em 1998. Livremente baseado nas memórias do diretor, retrata a vida de jovens punks no meio da década de 80 em Salt Lake City, que não era um grande centro como outras cidades. O protagonista dirige-se várias vezes para a câmera apresentando personagens, situações e explicando seu ponto de vista com relação a vários conceitos. Seu grande amigo chama-se Heroin Bob, que não usa drogas e tem medo de agulhas. O cotidiano dos jovens é o foco dessa comédia dramática, como as festas, shows, amigos e brigas com outras tribos urbanas. A trilha sonora foi muito bem empregada e traz clássicos de The Stooges, Ramones, Velvet Underground, Dead Kennedys, The Specials e Blondie. É um filme divertido que merecia ser lançado no Brasil.

fonte: omelete

História do Rock no Cinema – parte 15: David Bowie


Depois de Elvis Presley, David Bowie é o astro do rock com a carreira mais sólida no cinema. Diferente do Rei, que fazia variações da mesma história, Bowie optou por filmes muito diferentes entre si. Outra diferença está nos personagens. Elvis sempre interpretava o mesmo papel, enquanto Bowie escolheu personagens que exigiam bastante de sua capacidade de ator. Um outro ponto é que Bowie teve uma carreira de ator dissociada de sua carreira de músico, já que aparece cantando em apenas alguns dos seus filmes. Por isso, vamos separar aqui essas duas facetas do Camaleão do Rock.

Bowie músico

Ziggy Stardust é o personagem mais conhecido de Bowie, gravou dois discos com essa persona. O último show da turnê de Aladdin Sane aconteceu no dia 3 de julho de 1973 e foi documentado por D. A. Pennebaker. Antes da última música, Bowie anuncia que aquele não era somente o último show da turnê, mas também o último show que faria. Lógico que quem falava era Ziggy. A declaração pegou de surpresa até os músicos da banda, que não sabiam dessa decisão. Ziggy Stardust and The Spiders From Mars já vale por esse registro histórico, mesmo que a qualidade da imagem não seja das melhores. Não só isso, mas é uma ótima apresentação de Bowie num grande momento de sua carreira.

Bowie faz uma pequena participação no filme Christiane F., famosa história de uma garota alemã de 13 anos que se vicia em drogas e se prostitui. A jovem é fã do cantor e experimenta heroína pela primeira vez após um show dele. Bowie cedeu várias músicas para a trilha sonora. Lançado em 1981, o filme foi um grande sucesso e chocou várias pessoas pelo seu enredo. Visto hoje, não tem o mesmo impacto.

Outro filme que Bowie aparece como ele mesmo é Zoolander, de 2001. Num desfile-competição, ninguém mais adequado para ser juiz do que o estiloso cantor. Uma brincadeira com a sua própria imagem pública.

A música de Bowie foi utilizada em mais de uma centena de filmes e vale destacar a trilogia sobre a América criada por Lars Von Trier, por enquanto com dois filmes: Dogville e Manderlay. A canção "Young Americans" encerra as duas produções acompanhada de fotos da pobreza e dos excluídos da América. Um efeito bonito, causa impacto e ganha a simpatia do espectador, mas é redundante com o restante do filme. Funciona melhor como videoclipe da música. Tudo leva a crer que a terceira parte, Wasington, não deve ser diferente.

When the Wind Blows é uma animação britânica de 1986, baseada numa história em quadrinhos, que conta a história de um casal de idosos após uma guerra nuclear. Bowie compôs a canção tema e a trilha sonora ainda tem Roger Waters e Genesis.

Bowie ator

Após pequenas pontas em alguns filmes britânicos, que até passam despercebidos, Bowie protagonizou O Homem que Caiu na Terra (The Man Who Fell to Earth), de 1976, dirigido por Nicolas Roeg. É a história de um alienígena que chega à Terra com o intuito de levar água para seu planeta natal. Vende sua tecnologia para os terráqueos, monta uma grande companhia, fica rico e sucumbe aos prazeres humanos. Bowie provou que também era um bom ator e foi realmente o início de sua carreira cinematográfica. O filme tem uma montagem que torna a história um pouco confusa, os personagens envelhecem (exceto o alienígena), no entanto os objetos e cenários parecem ser todos da mesma época. Bowie compôs algumas músicas para o filme, mas elas não foram utilizadas. Fragmentos dessas músicas aparecem nos discos Station to Station e Low, que têm capas com imagens do filme. A roupa do personagem principal foi criada pela mãe do Slash, o guitarrista do Guns N’ Roses.

Ainda na sua fase Berlim, Bowie estrelou o filme alemão Apenas um Gigolô (Schöner Gigolo, armer Gigolo), lançado em 1978 na Alemanha e ano seguinte no restante do mundo com o título Just a Gigolo. Dirigido por David Hemmings, conta a história de um soldado após a Primeira Guerra Mundial que retorna a Berlim e não encontra emprego. Vai, então, trabalhar num bordel como gigolô. A dona do lugar é interpretada por Marlene Dietrich, no último papel de sua carreira. O filme foi um grande fracasso de crítica e público. Algum tempo depois, Bowie reconheceu que era mesmo uma bomba. Bowie compôs uma canção do filme, mas não a gravou. Marlene Dietrich canta Just a Gigolo, música popular da década de 20 que, posteriormente, foi um dos maiores sucessos da carreira solo de David Lee Roth, depois que saiu do Van Hallen.

Bowie voltou a protagonizar uma produção em 1983 e dessa vez foi um grande sucesso. Fome de Viver (The Hunger), dirigido por Tony Scott, foge das convenções conhecidas de histórias de vampiros, modernizando essas figuras míticas. Essa proposta fica bem clara na primeira cena, na qual aparece o grupo Bauhaus tocando "Bela Lugosi’s Dead". Temos vampiros que andam na luz do sol, uma explicação científica para alguém se tornar um vampiro, não há cruzes, alhos ou estacas que possam deter esses seres. O longa-metragem carrega no erotismo como poucos filmes de vampiros e tira proveito da beleza de suas atrizes: Catherine Deneuve e Susan Sarandon. No enredo, Bowie é John, um humano que se tornou vampiro no século 18 com a promessa feita por Miriam (Deneuve) de que seria jovem eternamente. O casal de vampiros permanece junto por duzentos anos até John perceber que está envelhecendo rapidamente. Apenas Miriam continua jovem e parte para conseguir uma nova companhia, a doutora Sarah (Sarandon). O final difere do livro que deu origem ao roteiro e foi imposto pelo estúdio, o que desagradou o diretor e o elenco. Algumas cenas podem parecer um pouco datadas, com “cara de anos 80”, mas ainda é um ótimo filme, o melhor dirigido pelo menos talentoso dos irmãos Scott. Bowie disse uma vez que para sua voz ficar rouca quando seu personagem tornava-se velho, toda noite ia numa ponte e cantava (gritando) todas as canções punk que conhecia.

Também lançado em 1983, Furyo – Em Nome da Honra (Merry Christmas, Mr. Lawrence), traz o melhor trabalho de Bowie como ator. Dirigido por Nagisa Oshima, o enredo se desenvolve num campo japonês de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial, onde estão diversos oficiais das forças aliadas. O filme ilustra as diferenças culturais entre ocidente e oriente através dos relacionamentos entre prisioneiros e japoneses. Nos papéis principais, do lado ocidental temos Bowie e Tom Conti enquanto no lado oriental temos Takeshi Kitano (no seu primeiro filme apresentado fora do Japão) e o músico Ryuichi Sakamoto, também responsável pela trilha sonora.

Em 1985, Bowie participou de Um Romance Muito Perigoso (Into the Night), dirigido por John Landis. O filme é repleto de pequenas participações especiais.

No ano seguinte, Bowie esteve presente em dois filmes, nenhum foi bem de bilheteria. O maior fracasso foi a produção inglesa Absolut Beginners, dirigido por Julian Temple, um musical sobre a vida em Londres no final dos anos 50, visto de uma maneira estilizada, nada realista. Além de Bowie, que gravou a canção-título e mais algumas para a trilha sonora, o filme também tem participação da cantora Sade. O outro filme é Labirinto – A Magia do Tempo (Labyrinth) que foi mal recebido no seu lançamento, mas ganhou muitos fãs ao longo dos anos. Produzido por George Lucas e dirigido por Jim Henson, o criador dos Muppets, é um musical infanto-juvenil que mistura atores e marionetes numa história de fantasia. Bowie não só aparece cantando, mas também dançando! Ao todo são seis canções que refletem bem a fase pop de sua carreira.

Há uma pequena participação de Bowie no papel de Pôncio Pilatos em A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ), dirigido por Martin Scorsese em 1988.

Os anos 90 não foram tão interessantes para a sua carreira de ator, o maior destaque é a interpretação de Andy Warhol que fez em Basquiat, em 1996. Em Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fire Walk With Me), um filme que desagradou até os fãs da cultuada série, fez uma pequena ponta como agente do FBI. Fora isso, os outros filmes dele nessa década são pouco conhecidos, como a comédia Romance Por Interesse (The Linguini Incident), que estrelou em 1991 ao lado Rosanna Arquette, o faroeste italiano Il Mio West, de 1998, o suspense Marcas da Violência (Everybody Loves Sunshine), de 1999, e O Segredo de Mr. Rice (Mr. Rice’s Secret), de 2000.

A volta de Bowie para um filme de destaque e a um bom papel ocorreu em 2006 na produção dirigida por Christopher Nolan, O Grande Truque (The Prestige). Nele, o cantor interpreta Nikola Tesla, o único personagem real da trama. Um pequeno papel, mas vital para a trama, mostrando que Bowie ainda é um ótimo ator.

fonte: omelete

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Exorcista é eleito o melhor filme de Terror de todos os tempos!


Enquete inglesa aproveita o Halloween pra escolher os 50 melhores! E, sendo assim, O Exorcista foi eleito o Melhor Filme de Terror de todos os tempos, numa enquete especial de Halloween realizada pela loja de DVDs inglesa HMV, graças à mistura única de horror sobrenatural, iconografia religiosa e um roteiro quebra-tabus.

Em segundo lugar ficou O Iluminado, adaptação do livro de Stephen King, dirigido por Stanley Kubrick, enquanto Alien - O Oitavo Passageiro ficou em terceiro lugar.

Confira a lista completa dos “50 Melhores filmes de Terror de todos os tempos” abaixo.

    o1) O Exorcista
    o2) O Iluminado
    o3) Alien - O Oitavo Passageiro
    o4) Silêncio dos Inocentes
    o5) Jogos Mortais
    o6) Halloween
    o7) A Hora do Pesadelo
    o8) O Chamado
    o9) The Wicker Man
    1o) A Profecia
    11) Os Pássaros
    12) A Coisa
    13) Garotos Perdidos
    14) Madrugada dos Mortos
    15) O Massacre da Serra Elétrica
    16) Tubarão
    17) A Bruxa de Blair
    18) Um Lobisomem Americano em Londres
    19) Se7en
    2o) Poltergeist
    21) Horror em Amityville
    22) Candyman
    23) Pânico
    24) Carrie - A Estranha
    25) Sexta-Feira 13
    26) Premonição
    27) The Evil Dead
    28) Hellraiser
    29) O Albergue
    3o) Salem’s Lot
    31) Abismo do Medo
    32) Terror nas Montanhas
    33) Wolf Creek
    34) Misery
    35) O Bebê de Rosemary
    36) Child’s Play
    37) O Orfanato
    38) The Entity
    39) Nosferatu
    4o) A Noite dos Mortos Vivos
    41) A Casa da Colina
    42) The Haunting
    43) It
    44) Audition
    45) A Troca
    46) The Mist
    47) Suspiria
    48) The Vanishing
    49) Shutter
    5o) Planeta Terror

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O que fazer em caso de incêndio? / What to do in Case of Fire? / Was tun, wenn's brennt?


Quinze anos se passaram desde que Tim (TIL SCHWEIGER), Flo (DORIS SCHRETZMAYER), Maik (SEBASTIAN BLOMBERG), Hotte (MARTIN FEIFEL), Nele (NADJA UHL), e Terror (MATTHIAS MATSCHKE) viveram juntos em um edifício ocupado nos anos 80 e deram às autoridades públicas os seus "dedos médios".

Este período de anarquia criativa parece ter sido a melhor época de suas vidas. Quase tudo mudou desde então. Apenas o carismático Tim e Hotte, preso à uma cadeira de rodas, permaneceram fiéis aos seus antigos ideais. Maik tornou-se diretor de uma bem sucedida agência de propaganda, Nele organizou sua vida como mãe solteira, Flo está para se casar, e Terror está a caminho de estabelecer sua carreira como promotor público.

O tempo que passaram juntos ficou reduzido a uma desbotada lembrança.Na Nova Berlim, os diferentes caminhos destes amigos não se cruzaram em vários anos. Entretanto, quando a já esquecida bomba caseira, plantada por eles em uma mansão desabitada em Grunewald em 1987, explode inesperadamente, o passado os junta mais uma vez.

Depois de todos estes anos, os seis amigos, apesar de relutantes, são levados a se encontrar novamente para encobrir seus passados e evitar que o detetive de polícia Manowsky (KLAUS LÖWITSCH) os descobrissem. Para o grupo, entretanto, encarar seu passado reprimido é um desafio ainda maior que salvar suas peles. Eles são forçados a se confrontarem com problemas, tais como saber se suas escolhas foram certas e o que aconteceu com suas idéias de um mundo melhor.

O melhor do filme, no entanto, fica por conta da trilha sonora, com Iggy Pop, Radiohead e, principalmente, Manic Street Preachers. Aliás, a escolha pela banda só pode ter sido feita por causa dos temas políticos utilizados em suas letras. Um trecho de "Everlasting", canção executada no filme, calhou bem à sua história: "In the beginning, when we were winning/ When our smiles were genuine".

1. Jan Plewka - Still, weit und weg
2. The Clash - I Fought The Law
3. Manic Street Preachers - The Everlasting



4. Simian - The Wisp
5. Boss Hog - Whiteout
6. Fehlfarben - Paul ist tot
7. The International Noise Conspiracy - Smash It Up
8. The Jam - In The City
9. I Am Klot - Twist
10. Die Sterne - Fickt das System
11. Richard Ashcroft - A Song For Lovers
12. Gang Of Four - Return The Gift
13. Jan Plewka - Ein Jahr (Es geht voran)
14. Bomben-Villa (Score)
15. Flo im Auto (Score)
16. Asservatenkammer
17. Alle laufen los
18. Ton, Steine, Scherben - Allein machen sie Dich ein
19. No Surprises - Radiohead



Em caso de Incêndio!?... Deixe Queimar!




quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Conheça as 10 piores adaptações de games aos cinemas


Nem sempre adaptações para a grande tela são bem sucedidas. As vezes não agradam os fãs ou mesmo não fazem jus à obra original. Pensando no fato, o site especializado Gametrailers.com, um dos maiores veículos de divulgação de games em todo o mundo, elegeu as dez piores adaptações que já surgiram nos cinemas. Confira o vídeo aqui.

O critério utilizado foi a manifestação do público em sites como o Imdb.com e o Rottentomatoes.com, portais que classificam filmes de acordo com a nota dada pelos fãs. As escolhas dos atores e a semelhança com os personagens dos jogos, assim como a caracterização também tiveram peso na decisão. Os três “ganhadores” foram “BloodRayne” (2005) , “Super Mario Bros” (1993) e “Alone in the Dark – O Despertar do Mal” (2005).

Dirigido pelo alemão Uwe Boll ("Em Nome do Rei"), considerado por muitos como o “assassino de franquias virtuais”, “BloodRayne” conta a história de uma híbrida – meio vampira, meio humana – que vai atrás do tirano rei dos vampiros responsável por estuprar sua mãe. Fracasso de bilheterias, arrecadou apenas US$ 3,6 milhões, tendo um custo de US$ 25 milhões. Desagradou muito os fãs, pois a franquia é bastante famosa entre os jogadores.

Com certeza gamers de qualquer idade conhecem os carismáticos encanadores italianos Mario e Luigi, da série “Super Mario Bros” da Nintendo. O que alguns não sabem é que o maior sucesso do mundo dos games já teve sua deplorável adaptação. O maior pecado cometido no filme foi a contextualização. Totalmente aquém do enredo apresentado nos jogos, o filme trazia uma história futurista com personagens mal caracterizados. Destaque ao Rei Koopa, que originalmente é uma tartaruga com ares de dragão, na película foi recriado na pele de Dennis Hopper (“Apocalypse Now”) com penteado punk.

Não coincidentemente ele retorna. “Alone in the Dark” também foi dirigido por Uwe Boll. Com roteiro torto, fracas interpretações e efeitos especiais pífios, os fãs execram o longa. Criado em 1992 pela Infrogames, o jogo revolucionou com belos cenários, trilha sonora inovadora e enredo instigante. É considerado o Pai dos jogos do gênero de Terror. Foi predecessor de sucessos como “Resident Evil” e “Silent Hill”.

Continuando a lista temos mais uma aparição de Uwe Boll em “A Casa dos Mortos” (2003); seguido por “Mortal Kombat: A Aniquilação” (1997); “Double Dragon” (1994); “Wing Commander: A Batalha Final” (1999); “Street Fighter: A Batalha Final” (1994); “Doom: A Porta do Inferno” (2005); “DOA: Dead or Alive” (2006).

domingo, 26 de outubro de 2008

Veja lista dos artistas mais sensuais da história do cinema


O site da extinta revista Premiere fez uma lista com os artistas mais sensuais da história do cinema. Para compor a seleção foi levado em conta a importância que esses astros tiveram em Hollywood e como eles mexeram com o imaginário de homens e mulheres ao longo dos anos.

Como era de se esperar, Marilyn Monroe está no topo da lista, que ainda conta com figuras conhecidas como Marlon Brando, Brigitte Bardot e até Halle Berry.

Confira o ranking dos 20 mais:

1. Marilyn Monroe
Quando os produtores de cinema fizeram a cena em que Marilyn Monroe tem sua saia levantada pela ventania de uma estação de metrô, talvez não tivessem imaginado que ela iria entrar para a história. Por isso, Marilyn Monroe, representante maior da sexualidade feminina nas telonas, não podia ficar fora da primeira posição. A atriz atiçou, em uma época pós-guerra, o desejo masculino e é uma das responsáveis pela extrema vaidade das mulheres modernas. Por outro lado, existem também seus críticos: muitos acreditam que ela ajudou a motivar o pensamento machista da mulher como "objeto de desejo". Polêmica ou não, Marilyn com certeza marcou não só sua geração, mas todas as outras que viriam em seguida.


2. Marlon Brando
Tirando seu talento admirável e combate às causas sociais, Marlon Brando ainda mexeu com muitas jovens que adoravam vê-lo sem camisa nas telonas. Em uma época onde a masculinidade era exigência dos estúdios, Brando se saiu bem. Não só isso: ele foi um dos primeiros atores a aparecer com os músculos totalmente à mostra, mesmo quando o desejo feminino não era tão voltado para as grandes medidas de braços e peitorais, como é configurado atualmente.


3. Brigitte Bardot
Brigitte Bardot é o grande símbolo sexual dos anos 60 e 70. Com suas curvas e lábios carnudos, a atriz e cantora francesa conseguiu continuar o que Marilyn Monroe tinha feito, mas ainda mais ousada. Em meio a um grande furor, fez cenas de nudez sem qualquer tipo de inibição. Não é à toa que é considerada uma das deusas do cinema.


4. Rudolph Valentino
O astro e símbolo sexual italiano Rudolph Valentino é um dos criadores da imagem do "amante latino", que hoje se espalha entre artistas como Antonio Banderas e Gael Garcia Bernal, entre tantos outros. No decorrer da carreira, Valentino ainda usou a androginia como ponto forte em seu trabalho, mostrando que as mulheres também gostavam de homens vaidosos e até femininos.


5. Angelina Jolie
Angelina Jolie é a maior representante do fenômeno das celebridades que assola o mundo atualmente. Ao lado de Brad Pitt, seu parceiro, a atriz é considerada uma das mais importantes dos Estados Unidos. A beleza selvagem da morena fez com que ela ganhasse milhares de fãs ao redor do mundo. Seus papéis fazem questão de realçar este lado.


6. James Dean
James Dean é o primeiro representante do "bad boy" americano. O mito em torno de seu nome não se limitava às telas. Há quem diga que Dean era um verdadeiro rebelde sem causa, que passava o dia todo em diferentes bares, fazia sexo com quem bem entendesse e tinha uma estranha fixação por carros e velocidade. Essa paixão lhe custou a vida: em 1955, quando seu primeiro filme estourava nas bilheterias, morreu em um acidente automobilístico. Dean ainda deixou duas produções em que era o protagonista e outras em que aparecia apenas como figurante ou ator não-creditado. Uma participação rápida nas telonas que marcou gerações.


7. Sean Connery
Ele sempre será o eterno James Bond, o que já fez ele garantir um lugar na lista. Aos 59 anos, Connery foi eleito o "homem mais sexy vivo" pela revista People. Prova de que seu legado transpassava os filmes do espião.


8. Raquel Welch
Ao contrário de outras musas da década de 60, Raquel Welch era conhecida apenas por seu corpo e não por dotes artísticos. Seus filmes se resumiam a produções baratas, bobas e facilmente esquecíveis. Bastava ter seu nome nos créditos, porém, que essas mesmas obras tornavam-se clássicos instantâneos. Sabendo disso, os executivos de Hollywood não economizavam em mostrar seu corpo sarado.


9. Brad Pitt
Brad Pitt é um nome manjado do cinema. Um filme com ele tem seu valor elevado a milhões de dólares e é exatamente neste "espírito" que a bilheteria responde: muita gente gosta de admirá-lo. Depois de se entregar a papéis em que sua maior função era mostrar a boa forma, Pitt tem feito parcerias mais sérias. A última delas foi em Queime Depois de Ler, dos irmãos Coen, que mesmo assim preservou seu lado "sexy".


10. Halle Berry
Primeira negra a ganhar o Oscar de melhor atriz, Halle Berry nunca hesitou em mostrar suas curvas nas telonas. Talvez um dos papéis mais polêmicos de sua carreira seja em A Última Ceia, quando no desespero da decadência sexual, sua personagem apareceu mais sensual do que nunca.


11. George Clooney
Quando um integrante da série ER, Clooney era apenas um jovem promissor, que tinha tudo para crescer. Após 15 anos, ele entrou para o ranking dos "coroas" mais desejados de Hollywood. Mais que isso, provou que tem talento: ganhou um Oscar e se tornou um diretor-roteirista social elogiado.


12. Steve McQueen
Steve McQueen não era exatamente um símbolo sexual, mas sua atuação em Bullitt, em que ele usava blazer e dirigia um Mustang, foi tão convincente, que ele logo entrou para a lista dos mais charmosos. A fama demorou a ceder e só aconteceu mesmo com sua morte, em 1980, em decorrência de um câncer de pulmão.


13. Clark Gable
Gable fazia o típico galã viril, que conquistava as mulheres, apesar do cinismo. Na década de 30, tornou-se um importante símbolo sexual, mesmo aparecendo com muitas roupas nas telonas.


14. Rita Hayworth
Rita Hayworth tinha o perfil da mulher forte, sensual e chique, tão valorizada nos filmes da década de 40. Em filmes como Gilda e Bonita Como Nunca, a atriz tornou-se uma das mulheres mais desejadas do mundo, na época. Seus dotes como dançarina também impressionavam. Assim, ela entrou na lista de grandes artistas que realçaram a imagem de "glamour" que Hollywood transmitia.


15. Ava Gardner
Ava Gardner não tinha uma beleza sutil. Seu olhar penetrante fez com que grandes cineastas, como Cecil B. De Mille caíssem a seus pés após inúmeros papéis de peso. Na década de 60, quando chegou definitivamente ao estrelato, teve gente que a chamou de "a mais bela mulher do mundo."


16. Paul Newman
Pouco antes de morrer, Paul Newman fez vários papéis em que o peso da idade já não podia ser mais disfarçado. Mesmo assim, a imagem do típico e charmoso herói americano continuou na mente das pessoas. Talvez o papel em que sua sensualidade mais transpareça seja em O Indomado, filme de 1963.


17. Rock Hudson
Hudson era um grande "captador" de grandes bilheterias nas décadas de 50 e 60. Sua imagem de galã viril era tão forte, que quando rumores de sua homossexualidade surgiram na imprensa mundial, logo lhe arranjaram um casamento de conveniência. Dez anos depois, suas polêmicas pessoais chegariam a um nível irreparável, o que fez ele ir se afastando aos poucos das telonas. Sua última aparição nas telas foi em 1984, no filme O Embaixador.


18. Denzel Washington
Denzel Washington já foi vilão e mocinho diversas vezes. Em seus filmes, também dividiu as atenções como protagonista ou coadjuvante. Mesmo assim, Washington chama atenção nas telonas. Depois de muito investir em ações, ele passou a fazer dramas. Assim estrelou Sob Domínio do Mal, um de seus filmes mais marcantes.


19. Sophia Loren
Lenda viva do cinema italiano, Sophia Loren está no hall das atrizes que conseguiram ganhar grande destaque fora da Europa. Em 2007, aos 72 anos, a estrela fez um ensaio sensual para o Calendário Pirelli, mostrando que ainda conservava o status de símbolo sexual.


20. Kevin Costner
Kevin Costner passaria facilmente despercebido se não fosse a cena de sexo em que protagonizou ao lado de Sean Young no filme Sem Saída. A produção entrou no ranking das mais provocantes da história e Costner virou alvo do desejo das mulheres, algo que se preserva até hoje.


fonte: terra

'Encantado pela Beleza': veja as loiras de Hitchcock


Spellbound by Beauty (Encantado pela Beleza), de Donald Spoto, investiga as tensas relações de Alfred Hitchcock com as loiras geladas que ele adorava. Qualquer leitor vagamente familiarizado com o tema pode adivinhar que a ênfase de Spoto vai ser no cineasta em seu aspecto mais fetichista, e que a pièce de résistance vão ser as bicadas em Tippi Hedren - foto acima - durante as filmagens de Os Pássaros.

Spoto acrescenta mais um tijolo à especulação crítica sobre a ambivalência de Hitchcock com relação a algumas de suas atrizes. Mas há outra relação de amor e ódio aqui: a relação entre o biógrafo e seu tema.

Spoto começou seus estudos sobre Hitchcock com um bem comportado trabalho de hagiografia, The Art of Alfred Hitchcock, em 1976. Ele conduziu várias entrevistas longas e presumivelmente cordiais com Hitchcock enquanto trabalhava no livro. Passados sete anos, depois da morte de Hitchcock, Spoto lançou um retrato mais conturbado, The Dark Side of Genius o lado sombrio do gênio, que lidava com a vida e obra de Hitchcock.

E agora, depois de uma lista longa e aparentemente aleatória de outras biografias sobre indivíduos tão variados quanto Preston Sturges, Elizabeth Taylor e Joana D'Arc, ele voltou ao território que lhe é mais familiar. Criou uma colcha de retalhos que combina análise e relatos pessoais, usando como fonte a impressionante lista de colaboradores de Hitchcock que conheceu ao longo dos anos.

Hedren, por exemplo, contou a Spoto não só sobre seu pesadelo ornitológico ("vocês estão tentando matá-la", perguntou o médico de Hedren durante a sofrida filmagem de em Os Pássaros), mas também sobre a tentativa de Hitchcock de obrigá-la a estar sexualmente disponível para ele, fazendo ameaças de acabar com sua carreira caso ela não cedesse (Ela não cedeu).

Anne Baxter - foto acima, que aparece em A Tortura do Silêncio, disse a Spoto que o diretor a fez se sentir pouco atraente até que ela consentisse em pintar o cabelo para se transformar em uma loira Hitchcock.

Duas questões surgem: Até que ponto recolher esse tipo de material tem valor? E de que maneira ele justifica publicá-lo? A justificativa parece lhe ocorrer com facilidade. Nenhum estudo da obra de Hitchcock pode ignorar os subtextos dos filmes ou os temas frequentemente usados, afirma Spoto. E até o entediado psiquiatra de Psicose conseguiria ver paralelos entre as necessidades privadas do diretor e suas versões correspondentes no cinema. Isso faz com que seu recorrente e metafórico uso de algemas, óculos (a versão moderna de Hitchcock para as máscaras venezianas) e voyeurismo, só para começar, talvez adquira significado biográfico que pode propiciar uma melhor compreensão de seu trabalho.

A ortodoxia crítica sobre Hitchcock é outra justificativa que Spoto invoca para reforçar sua nova investigação. Ele sustenta que nenhuma explicação da carreira do diretor poderia estar completa sem esse lado negro, e que a grande arte não precisa estar ligada a um comportamento angelical (Wagner e Picasso oferecem pontos de referência). E sugere que esse livro seja lido como "uma história cautelar sobre o que pode sair errado em qualquer vida". Afinal de contas, "estamos falando da história de um homem tão infeliz, tão cheio de autodesprezo, tão solitário e sem amigos, que sua satisfação vinha de demonstrar poder, criar fantasias e acumular riquezas. Quando Hitchcock implodiu com Hedren, argumenta o livro, a sede desse tipo de poder abafou a vitalidade criativa de seu trabalho.

"Boa parte de seu comportamento não seria suportada hoje em dia", escreve Spoto, em um livro que apresenta muitas provas para sustentar essa afirmação. "E de fato não deveríamos permitir que ninguém se comporte da maneira que ele se comportava", ele alega. Isso torna Spellbound by Beauty uma ladainha cronológica de histórias sobre as atrizes de Hitchcock, algumas das quais muito mais interessantes que outras. Mas uma das estranhas virtudes do livro é a perseverança de Spoto em descobrir como terminou a vida dessas atrizes. Embora isso acrescente muito pouco ao entendimento da arte de Hitchcock, saber onde Nova Pilbeam (O Homem que Sabia Demais, 1934) estava vivendo placidamente em 2008 atesta a tenacidade de Spoto - e também oferece uma ótima história.

Entre as estrelas mais conhecidas de Hitchcock, aquelas que vão atrair mais interesse, nem todas tiveram um relacionamento conturbado com o cineasta. Algumas, como Joan Fontaine - foto acima - em Rebecca, simplesmente não o interessavam; a atitude de desprezo e as piadas de sacanagem colegiais foram o pior tratamento que receberam. Mas intercaladas com suas pequenas histórias sobre estrelas surge uma afirmação muito mais dura da parte de Spoto: a de que Hitchcock, tão conhecido por sua precisão, podia ser desatento, entediado ou até pior, quando as câmeras rodavam. O livro balanceia de forma estranha impressões conflitantes de Hitchcock em modo obsessivo e em modo distraído, bastante aéreo. Apesar de soar bem picante, Spoto não consegue "e talvez não queira" desafiar realmente a impressão geral da grandeza de Hitchcock.

Algumas de suas protagonistas foram companheiras do diretor. Ingrid Bergman - foto ao lado, "a colaboração mais próxima com uma atriz na carreira de Hitchcock", manteve um relacionamento caloroso com ele, ainda que Hitchcock tenha transformado essa amizade em uma atração juvenil. De qualquer forma, ele sentia um enorme respeito por ela; Hitchcock reservava seu comportamento mais cruel para atrizes menos poderosas e menos propensas a resistir às suas provocações ou suas exigências de maquilagem e figurino.

Outros, e melhores, conhecedores da obra de Hitchcock "especialmente François Truffaut, em sua conversação em forma de livro com o colega cineasta- já dedicaram considerável atenção à perversão mais flagrante nos filmes do autor. Nenhuma interpretação em seus filmes mereceu análises mais exaustivas do que a de Kim Novak em Um Corpo que Cai. Mas ainda assim Spoto desfrutou de acesso considerável às pessoas que trabalharam com Hitchcock, por um período bastante prolongado, e montou um conjunto de impressões em primeira mão que soam, na página, como conversas.

Novak não fala por si mesma no livro. Mas Grace Kelly, Janet Leigh, Eva Marie Saint, Teresa Wright, Hedren e muitas outras heroínas inesquecíveis dos filmes do diretor o fazem.

fonte: The New York Times

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Os maiores erros nos filmes biográficos


"Nunca deixe a verdade atrapalhar uma boa história", tem sido o mantra de muitos cineastas quando trabalham em um filme de biografia. E quem pode culpá-los?

A vida comum é confusa, tem muitos personagens, e normalmente falha por não ter um final hollywoodiano. Então, os roteiristas massageiam os detalhes deixando de lado a primeira esposa aqui, esquecendo hábito desagradável ali para fazer os personagens apelativos o suficientes para o público.

Mas é um passo escorregadio fatos negligenciados podem rapidamente ser percebidos claramente como ficção. Poderíamos adicionar dezenas de outros filmes nesta lista, como 'Alexandre', 'Dragon': 'A História de Bruce Lee', 'Song of Norway', 'Johnny e June', 'Cleopatra', 'Uma Garota Irresistível' e muitos, muitos outros. Mas separamos alguns exemplos de biografias que foram um desafio nos cinemas.

'Uma Mente Brilhante' contém erros na biografia do matemático Nash. Esse filme, baseado em um livro de Sylvia Nasar, escondeu alguns dos momentos mais apimentados da vida do gênio: ele teve um filho fora do casamento, foi preso em Santa Mônica, dentro de um banheiro masculino sob a acusação de conduta moral inadequada, e fez vários comentários politicamente incorretos sobre vários grupos de minoria. O mais flagrante é que as alucinações que Nash sofria na vida real eram inteiramente de audição, não visual. E quanto ao discurso emocionante de Nash quando recebeu o prêmio Nobel no final? Ele nunca fez discurso nenhum.


'Ray' contém muitos erros na biografia do músico que dá nome ao filme. De acordo com o longa vencedor do Oscar Ray, Ray Charles foi traumatizado por uma tragédia na infância e a culpa pelo ocorrido o levou ao vício nas drogas. O filme termina com Ray largando o vício e vivendo feliz para sempre ao lado da esposa Della. De fato ele largou a heroína, mas continuou consumindo uma grande quantidade de gim e maconha até os últimos dias de sua vida. E Ray e Della se divorciaram em 1976. Além do mais, ele nunca foi proibido de tocar em Georgia, como o filme mostra.


'The Doors' contém erros na biografia de Jim Morrison. Enquanto a maioria das cinebiografias de Hollywood é sobre as qualidades menos atrativas do líder da banda, 'The Doors' é acusado de fazer sensacionalismo com os vários erros de Jim Morrison. Mas também, esse é um filme dirigido por Oliver Stone que é famoso por alongar a verdade até se tornar uma boa história. Todos os integrantes da banda que estão vivos criticaram a obra dee Stone por transformar Morrison em um grosseiro, eternamente bêbado, All of the surviving band members criticized Stone for turning Morrison into a boorish, perpetually drunk, um lunático estúpido.


'The Hurricane - O Furacão' contém erros na biografia do boxeador afro-americano que foi preso por homicídio e solto após algumas apelações. Aliás, esta parte é a única verdadeira na vida do lutador de boxe, Rubin 'Hurricane'. Carter não deixou os serviços militares com mérito, mas foi expulso depois de ser julgado pela corte militar. Ele não perdeu a luta contra Joey Giardello por causa de um juiz teimoso; mas porque Giardello o acertou corretamente. E apesar de Carter encarou muito racismo, o personagem de Della Pesca, o detetive que o odiava e perseguia, foi completamente inventado.


'O Jovem Einstein' contém erros na biografia do grande gênio da ciência. Apesar de ser difícil não elogiar um filme dirigido por alguém chamado Yahoo Serious, os historiadores já deixaram bem claro que Albert Einstein não nasceu na Tasmânia, não descobriu o rock e não dividiu o átomo Tasmanian beer seja lá o que isso for com um instrumento para esculpir.


'Amadeus' também é um filme com erros na biografia de Mozart. A peça e o filme sobre Salieri e Mozart é tão popular que é mais ou menos derivada da vida real. De fato, o relacionamento deles foi muito marcado por um respeito mútuo e sem nenhuma intenção cruel. Eles escreveram a cantata juntos e Salieri até foi tutor do filho de Mozart. Franz Xaver Wolfgang, na música.


'Canção Inesquecível' é mais um filme que contém erros na biografia de Cole Porter. Ele compôs algumas das músicas mais agitadas do século 20. No filme adaptado de sua vida, Cary Grant o desenha como um veterano do exército francês e muito agradável com as mulheres. Apesar de Porter ter um armário cheio de uniformes militares, ele nunca lutou em nenhum exército. Porter era inegavelmente delicado, as mulheres nunca foram seu primeiro interesse. O filme De-Lovely - Vida e Amores de Cole Porter, de 2004, foi um pouco mais verdadeiro sobre a vida de Porter e seu casamento com Linda Lee Thomas, mas ela era realmente oito anos mais velha que ele, não significativamente mais nova que ele como é mostrado no filme.


'A Grande Esperança' é mais um filme com erros em sua biografia. Abraham Lincoln é o Sr. América, o salvador da União. E esse filme nem ao menos tenta apresentá-lo realisticamente, em vez disso, trata-o como o segundo presidente. O julgamento que é o centro da história é uma mistura confuse de casos reais que Lincoln julgou com pura ficção. Mas o mais impressionante desse filme é sobre a Grande Emancipação da escravidão, aquele elefante enorme no meio da salad a história norte-americana, nem é ao menos mencionada.


'Mongol' também é um filme que contém erros em sua biografia. Apesar do filme mais inexato sobre Genghis Khan ser Sangue de Bárbaros, com John Wayne, o longa de Sergei Bodrov, Mongol, tem lá sua cota de falhas. A maior é a que Khan é mostrado como um marido dedicado e devoto de sua esposa Borte. É fato que sua esposa foi um figura importante em sua vida, mas ele não era nenhum monógamo exemplar. De acordo com um artigo do 'The American Journal of Human Genetics', aproximadamente 8% de todos os homens da Ásia são descendentes de Khan.


'Houdini, o Homem Miraculoso' é mais um filme que contém erros em sua biografia. Para ser honesto, descobrir o que foi real e o que foi ficção na atual biografia de Houdini nunca foi fácil. Apesar de ele ter nascido na Hungária, Houdini declarou em algumas entrevistas que nasceu em Appleton, em Wisconsin. Claro que esse filme estrelado por Tony Curtis e Janet Leigh não resolveu o assunto. O filme mostra que o nome da família era Schwartz e na verdade era Weisz. O relacionamento entre sua mãe judia e sua esposa não-judia foi mostrado como harmonioso, sendo que na vida real definitivamente não foi. E no filme, sua morte foi causada por não conseguir fugir de uma célula de tortura chinesa com água seguida por um ferimento causado por uma espada. Na realidade, Houdini morreu quando seu apêndice estourou depois de um soco no estômago.

fonte: yahoo