segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Senhor do Suspense e do Mistério


Alfred Joseph Hitchcock (Londres, 13 de Agosto de 1899 Los Angeles, 29 de Abril de 1980) foi um cineasta britânico, considerado o mestre dos filmes de suspense, sendo um dos mais conhecidos e populares realizadores de todos os tempos.

Em 1919, foi contratado como desenhista de créditos pelo estúdio Players-Lasky, da Paramount Pictures. Logo aprendeu a criar roteiros e a editar. Em 1922, tornou-se cenógrafo e assistente de direção. Nesse mesmo ano, teve sua primeira grande chance. O diretor de Always Tell Your Wife ficou doente, e Hitchcock foi indicado para terminar o filme.

Hitchcock nasceu na Inglaterra, teve uma rígida educação jesuíta e pretendia ser engenheiro, mas acabou ainda bem jovem, desenhando legendas de filmes mudos numa produtora londrina. Na década de 20, com o cinema ainda numa fase romântica, a diferença entre desenhar legendas e dirigir um filme ainda não era tão grande. Sua criatividade surpreendeu os dirigentes do estúdio, que decidiram promovê-lo a diretor Depois de um breve período de aprendizado, como assistente de direção e montador do diretor Graham Curtis, em 1925 fez seu primeiro filme, nunca concluído. "The pleasure garden", seu primeiro filme que dirigiu só e conseguiu terminar, obra ainda medíocre. Em 1926, contudo, já assina "The Lodger: A Story of the London Fog” (O Pensionista), seu primeiro sucesso, baseado nos assassinatos de Jack, o Estripador, demonstrando grande talento. A partir desse filme, Hitchcock faria pelo menos uma aparição em cada uma de suas produções, o que se tornaria uma de suas marcas. Foi também seu primeiro filme de suspense, gênero que o consagraria em todo o mundo. Daí por diante, não parou mais de filmar.

Em 1929, dirigiu Chantagem e Confissão, o primeiro filme sonoro britânico. Nessa fase inglesa, destacam-se ainda “Os 39 Degraus” (1935) e “A Dama Oculta” (1938), ambos envolvendo intrigas internacionais. Esses filmes chamaram a atenção de Hollywood para o diretor.

Sua "fase inglesa" vai até 1939, quando David Selznick o leva para os Estados Unidos, onde se tornou cidadão norte-americano em 1955. Em Hollywood, a personalidade reservada de Hitch, pouco afeita a festas e badalações, contribuiu para criar a sua aura de "senhor do suspense e do mistério". Na verdade, o que ele queria era filmar. E filmava como ninguém. Seu primeiro filme americano foi “Rebecca” e já começou ganhando um Oscar, e foi afirmando-se como um cineasta capaz de extrair bons filmes até de argumentos fracos. Seria indicado ainda por “Um Barco e Nove Destinos” (1943), “Quando Fala o Coração” (1945), “Janela Indiscreta” (1954) e “Psicose” (1960), mas nunca receberia o prêmio.

Seus filmes de suspense psicológico são considerados suas melhores produções norte-americanas. Incluem “A Sombra de Uma Duvida” (1943), “Pacto Sinistro” (1951) e “Psicose” (1960). Recebeu alguns prêmios, como o Irving Thalberg Memorial, da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas, pelo conjunto de sua obra (1967); o prêmio da National Board of Review por “Topázio” (1969); o Cecil DeMille, da organização do Globo de Ouro (1972).Alfred Hitchcock é um dos cineastas mais comentados, biografados e reverenciados de todos os tempos. É difícil escrever sobre ele sem a sensação de estar repetindo o que todos sabem, ou pelo menos o que todos deveriam saber a muito tempo. Mais difícil ainda é buscar novos ângulos para a análise de suas obras e de sua vida. Ele já foi tratado como um simples artesão, como um mero empregado dos estúdios, repetindo a mesma fórmula para garantir bilheterias, mas também já foi alçado à condição de gênio, de grande autor, principalmente depois que os franceses da Nouvelle Vague (Truffaut à frente) promoveram uma releitura respeitosa (e quase sempre precisa) de seus principais filmes. Então, quem é o verdadeiro Hitchcock?

Antes de tudo, era um trabalhador do cinema. No sentido proletário do termo. Ao contrário dos diretores da atualidade, que são empresários, muitas vezes multimilionários, e que se envolvem diretamente na produção de seus filmes, Hitch manteve sua vida dentro da câmera preocupando-se, essencialmente, com o que o público assistiria. Decidir o enquadramento sempre foi mais importante que decidir o orçamento. Talvez por isso, ele conseguia imprimir aos seus filmes um caráter , ao mesmo tempo, autoral e popular. Hitch dominava a linguagem e conhecia como ninguém os recursos técnicos que a indústria poderia lhe proporcionar, mas parecia sempre mais disposto a brincar com o público (inclusive aparecendo rapidamente em seus filmes) do que a agradar aos chefões.

Como sua produção era muito extensa, e sempre no ritmo ditado pelos estúdios, teve momentos de maior ou menor qualidade. Mas quem vai negar os acertos de "Psicose", "Vertigo", "Disque M para matar", "Os pássaros", "Intriga internacional" e "O homem que sabia demais"? O estilo de Hitchcock, que combina realismo na ação, certo maneirismo na construção dos personagens e extrema inventividade na narrativa visual (resultante, antes de tudo, de uma decupagem brilhante e sofisticada), já foi muito copiado, mas, como acontece com obras e autores de exceção, não podem servir de paradigma para ninguém. Hitchcock foi um dos grandes. Tanto que refilmou seu próprio filme “O Homem Que Sabia Demais”, primeira versão (britânica) em 1934 e a segunda (americana) em 1956 com James Stewart e Doris Day nos papéis principais.

Seu último filme foi “Trama Macabra”, exibida em 1976. Quatro anos depois, no dia 29 de abril, o cineasta faleceu, em Los Angeles, aos oitenta anos, em conseqüência de insuficiência renal.


FILMOGRAFIA

Filmes mudos

Numbers Thirteen (1922) Filme Inacabado

Always Tell Your Wife (1922) roteiro

Woman to Woman (1922) assistente de direção

The White Shadow (1923) roteiro, cenário, montagem

The Passionate Adventure (1924) assistente de direção

The Blackguard (1925) assistente de direção

The Prude's Fall (1925) - assistente de direção

The Pleasure Garden (1925)

The Mountain Eagle (1926)

O Pensionista (1926)

Downhill (1927)

Easy Virtue (1927)

O Ringue (1927)

A Mulher do Fazendeiro (1928)

Champagne (1928)

O Ilhéu (1929)

Harmony Heaven (1929)


Filmes sonoros

Chantagem e Confissão (1929)

Elstree Calling (1930)

Juno and the Paycock (1930)

Assassinato (1930)

Mary Sir John Greift Ein (1930)

The Skin Game (1931)

Ricos e Estranhos (1932)

O Mistério no 17° (1932)

Waltzes from Vienna (1933)

O Homem que Sabia Demais (1934)

Os 39 Degraus (1935)

O Agente Secreto (1936)

Sabotagem ou O Marido Era o Culpado (1936)

Jovem e Inocente (1937)

A Dama Oculta (1938)

A Estalagem Maldita (1939)

Rebeca, a Mulher Inesquecível (1940)

Correspondente Estrangeiro (1940)

Mr. And Mrs. Smith (Um Casal do Barulho, 1941).

Suspeita (1941)

Sabotador (1942)

A Sombra de uma Dúvida (1943)

Um Barco e Nove Destinos (1943).

Bon Voyage (1944) curta-metragem

Aventure Malgache (1944)- curta-metragem

Quando Fala o Coração (1945)

Interlúdio (1946)

Agonia de Amor (1947)

Festim Diabólico (1948)

Sob o Signo de Capricórnio (1949)

Pavor nos Bastidores (1950)

Pacto Sinistro (1951)

A Tortura do Silêncio (1952)

Disque M para Matar (1954)

Janela Indiscreta (1954)

Ladrão de Casaca (1955)

O Terceiro Tiro (1956)

O Homem Que Sabia Demais (1956)

O Homem Errado (1957)

Vertigo - Um Corpo que Cai (1958)

Intriga Internacional (1959)

Psicose (1960)

Os Pássaros (1963)

Marnie, Confissões de Uma Ladra (1964).

Cortina Rasgada (1966)

Topázio (1969)

Frenesi (1972)

Trama Macabra (1976)

sábado, 4 de outubro de 2008

As cenas mais quentes do Cinema


O site da extinta revista norte-americana Premiere elegeu as cenas de sexo mais quentes do cinema. Para os filmes selecionados, foram utilizados vários critérios de filtragem, como sensualidade, situação dos personagens e até mesmo a inocência de um ato para representar o sexo, em si.

Confira abaixo os principais longas da lista:

E Tua Mãe Também (2001)
Direção: Alfonso Cuarón

O clássico filme de Alfonso Cuarón coleciona cenas quentes, inclusive homoeróticas. Protagonizado por Diego Luna e Gael García Bernal - em um de seus primeiros papéis de destaque -, E Tua Mãe Também é um 'road movie' (que se passa na estrada) sobre dois amigos cujo desejo sexual move suas atitudes. A cena em questão está no final do longa-metragem, quando os dois resolvem saciar as vontades da personagem Ana (Ana López Mercado), juntos.


A Bela da Tarde (1967)
Direção: Luis Buñuel

O mais popular filme do mestre do surrealismo, Luis Buñuel é repleto de cenas provocantes. O filme conta a história de Séverine (Catherine Deneuve) - foto, jovem rica e casada que procura um bordel para realizar suas fantasias sexuais longe de seu marido. A Bela da Tarde não traz cenas explícitas, mas prova que, assim como as fantasias de Séverine, a imaginação é o melhor combustível tanto na cama, quanto nas telonas.


Betty Blue (1986)
Direção: Jean-Jacques Beineix

O provocante Betty Blue acompanha um zelador que conhece uma mulher de temperamento explosivo, iniciando um romance perigoso e tentador. Em uma tarde de verão, os dois consomem seus desejos.


Marcas da Violência (2005)

Direção: David Cronenberg

Ao contrário de outros filmes em que a tensão sexual é carro-forte, Marcas da Violência mostra que família de conservadores podem ter uma vida sexual completamente ativa. Os atores Viggo Mortensen e Maria Bello, que interpretam os personagens centrais, provam que isso pode ser verdade. Na cena, Eddie Stall (Maria Bello) se veste de cheerleader para provocar Tom (Mortensen).


A Insustentável Beleza do Ser (1988)
Direção: Philip Kaufman

Na década de 60, Tomas (Daniel Day-Lewis) adorava ter práticas sexuais com diferentes mulheres. Neste cenário, duas delas, Sabina (Lena Olin) e Tereza (Juliette Binoche) se tornam uma constante em sua vida, formando um tenso triângulo amoroso.


A Última Ceia (2001)
Direção: Marc Foster

A Última Ceia (Depois do Ódio), que aborda com brutalidade o racismo na América, tem uma das cenas de sexo mais polêmicas do cinema. Nele, a personagem de Halle Berry resolve explorar o ato sexual de forma franca, mesmo em uma situação de auto-destruição.


Pecados Íntimos (2006)
Direção: Todd Field

O comentado longa-metragem de Foster mostra um casal que se conhece no subúrbio americano. Mesmo com seus filhos como tema central, os dois resolvem não mais controlar seus instintos básicos e fazem sexo em uma lavanderia, entre outros lugares, em um ciclo que não pára.


A Secretária (2002)
Direção: Steven Shainberg

Em A Secretária, a comportada Maggie Gyllenhaal mostra que também pode ser bastante sensual nas telonas. A adolescente vivida por ela acaba de sair do sanatório e arranja um emprego de secretária. Na cena citada, ela fica completamente nua, enquanto o personagem de James Spader lhe dá um banho.


Coração Satânico (1987)
Direção: Alan Parker

No bizarro filme de horror, Coração Satânico (Nas Portas do Inferno), há de tudo um pouco. A cena mais homônima, provavelmente, envolve não apenas o sexo em si, mas muito sangue de galinha compondo o cenário.


Depois Daquele Beijo (1966)
Direção: Michelangelo Antonioni

O clássico de Antonioni é inocente, se comparado a produções mais recentes. No entanto, na cena em questão, a atriz Jane Birkin fica completamente nua, chocando as platéias conservadoras que acompanharam o longa-metragem na época. Assim, o diretor conseguiu abrir espaço para a nudez frontal em filmes dirigidos ao grande público.


O Último Tango em Paris (1973)
Direção: Bernardo Bertolucci

O tenso thriller O Último Tango em Paris mostra o affair entre uma jovem e um americano que acabou de perder a mulher, que cometeu suicídio. Os dois iniciam uma relação nada mais do que sexual - resultando na famosa cena em que eles transam de frente -, até que os sentimentos de ambos vão fugindo do controle.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A Saga Star Wars e seu criador


Inicialmente, George Lucas escreveu um roteiro de 6 horas de filme, e o fez mesmo prevendo a resposta do estúdio. Recebendo um "não" como resposta, decidiu dividir o filme em 6 episódios, sendo que resolveu gravar apenas os 3 últimos, pois os julgava mais interessantes e reconhecia neles aspectos que cativaria o público. Acertou! Mas no fim dos anos 90 os fãs ganharam um presente, a notícia de que os 3 primeiros episódios seriam gravados. Antes disso, no início da década de 90 , os 3 episódios já gravados foram relançados em edição remasterizada.

A Fox, por desacreditar num filme que falava sobre o espaço, que na época era loucura, permitiu que George Lucas tivesse todos os direitos do filme, o que garantiu a George Lucas dinheiro suficiente para montar suas próprias empresas cinematográficas. Dentre elas a ILM, empresa que revolucionou a industria cinematográfica com efeitos especiais de altíssima qualidade, desenvolvendo tecnologia própria.

Lucas nasceu em Modesto, Califórnia. Era um apaixonado por automóveis, e o seu sonho era ser piloto de corridas, mas um terrível acidente pôs fim a este desejo e mudou a sua maneira de ver a vida. Durante a década de 60, Lucas estudou cinema na Universidade da Califórnia do Sul, uma das primeiras a ter uma cadeira dedicada a essa temática, onde conheceu Francis Ford Coppola. Nessa época fez uma série de pequenos filmes, entre os quais, uma primeira versão de THX-1138, que iria se tornar mais tarde o seu primeiro longa-metragem.

Após fazer a graduação, fundou o estúdio American Zoetrope, em parceria com Coppola, companhia que tinha por objectivo ajudar os realizadores a criar filmes de forma livre, fora do circuito opressivo de Hollywood.

A Zoetrope não teve sucesso, mas com o dinheiro realizado com American Graffiti e Star Wars, Lucas conseguiu montar a sua própria companhia, a Lucasfilm. As sub-divisões desta empresa, “Skywalker Sound” e “Industrial Light and Magic” tornaram-se das mais respeitadas em seus campos, respectivamente, o de som e o de efeitos especiais.

Para além do seu trabalho de realizador e produtor de filmes, Lucas é considerado um dos maiores contribuidores para as novas tecnologias dos filmes modernos. Em 1975 Lucas criou a “Industrial Light and Magic” (ILM), que foi responsável pela invenção de uma câmara especial assistida por computador chamada “Dykstraflex”, e que foi usada na maioria das seqüências de luta no espaço de “Star wars”, tecnologia que foi usada também depois em “Battlestar Galáctica” e “Star trek – The next generation”. Através da ILM, Lucas impulsionou o desenvolvimento de gráficos de computador aplicados na “fabrica” de personagens em 3D.

Lucas é também responsável pelos modernos sistemas de som encontrados em muitas salas de cinema. Ele não inventou o THX (que é a marca do sistema de reprodução de som de alta-fidelidade da Lucasfilm), mas foi o grande responsável pelo seu desenvolvimento.


Segue abaixo, os episódios lançados de Star Wars em ordem lógica, e não cronológica:


Episódios: Direção: Data de lançamento:

A Ameaça Fantasma (episódio 1) George Lucas Maio 19 de 1999

O Ataque dos Clones (episódio 2) George Lucas Maio 16 de 2002

A Vingança dos Sith (episódio 3) George Lucas Maio 19 de 2005

Uma Nova Esperança (episódio 4) George Lucas Maio 25 de 1977

O Império Contra-Ataca (episódio 5) Irvin Kershner Maio 21 de 1980

O Retorno de Jedi (episódio 6) Richard Marquand Maio 25 de 1983


A Ameaça Fantasma - Episódio I, é o primeiro filme na ordem lógica, mas não cronológica, da exalogia Star Wars, lançada 16 anos depois do último filme, O Retorno de Jedi. Não foi bem-recebido pela crítica, mas é a quarta maior bilheteria da história.

Star Wars, o Episódio I apresenta Anakin Skywalker, um garoto com poderes especiais que não sabe que a jornada que está começando vai transformá-lo no maligno Darth Vader. Obi-Wan Kenobi, o velho e sábio Jedi da série original, é um jovem e determinado aprendiz e Palpatine, conhecido como o maligno Imperador, é um ambicioso Senador da República Galáctica. É uma época um que os Cavaleiros Jedi são os guardiões da paz numa galáxia turbulenta e a jovem Rainha luta para salvar seu povo. Nas sombras uma força maléfica espreita, esperando o momento certo para atacar.


O Ataque dos Clones - Episódio II, é um dos filmes da trilogia da guerra das estrelas, sendo o penúltimo a ser lançado, embora seja o segundo na seqüência da história.

A Saga Star Wars continua com o Episódio II: Ataque dos Clones. Anakin cresceu e tornou-se um talentoso aprendiz Jedi e agora enfrenta seu desafio mais difícil: escolher entre seu dever como Jedi e um amor proibido. Reviva a aventura da forma que ela foi pintada com espetaculares recursos digitais, incluindo a dramática Guerra dos Clones e Mestre Yoda em emocionante duelo de sabre de luz. No DVD duplo com mais de seis horas de bônus incluídos você verá como Episódio II desvenda todos os segredos da Saga Star Wars.


A Vingança dos Sith - Episódio III, é um filme da série Star Wars lançado em 2005, sendo o sexto filme da saga Star Wars a ser rodado, o terceiro em ordem cronológica. Foi o vencedor de bilheteria em 2005 de todo o mundo.

A saga de Star Wars se completa com Episódio III - A Vingança dos Sith. Atormentado pela lealdade a seu mentor, Obi-Wan Kenobi em oposição aos sedutores poderes dos Sith, Anakin Skywalker acaba se voltando contra os Jedi, assim completando sua jornada rumo ao lado sombrio e sua transformação em Darth Vader. Acompanhe o emocionante capítulo final com a espetacular tecnologia digital e reviva todas as batalhas épicas incluindo o inesquecível e decisivo duelo entre Anakin e Obi-Wan.


Uma Nova Esperança - Episódio IV, (mas originalmente conhecido simplesmente como Guerra nas Estrelas), foi o primeiro filme da série a ser lançado, em 1977.

Luke Skywalker sonha ir para a Academia como seus amigos, mas se vê envolvido em uma guerra intergaláctica quando seu tio compra dois robôs e com eles encontra uma mensagem da princesa Leia Organa para o jedi Obi-Wan Kenobi sobre os planos da construção da Estrela da Morte, uma gigantesca estação espacial com capacidade para destruir um planeta. Luke então se junta aos cavaleiros jedi e a Hans Solo, um mercenário, e junto com membros da resistência tentam destruir esta terrível ameaça.


O Império Contra-Ataca - Episódio V, lançado em 1980, foi à primeira seqüência de Guerra nas Estrelas, e a quinta parte da saga Star Wars. A história tomou um tom mais sombrio, e é considerado pela maioria como o melhor dos filmes.

As forças imperais comandadas por Darth Vader lançam um ataque contra os membros da resistência, que são obrigados a fugir. Enquanto isso Luke Skywalker tenta encontrar o Mestre Yoda, que poderá ensiná-lo a dominar a "Força" e torná-lo um cavaleiro jedi. No entanto, Darth Vader planeja levá-lo para o lado negro da "Força".


O Retorno de Jedi - Episódio VI, lançado em 1983, é a sexta e última parte da saga de George Lucas, Star Wars. O título do filme deveria ser A Vingança de Jedi, mas um pouco antes da estréia, George Lucas retornou à idéia inicial colocando como o nome que é conhecido até hoje. A razão era que um jedi não poderia querer vingança de ninguém. A vantagem é que essa decisão ainda acabou com o conflito que poderia vir entre o título do terceiro filme.

O imperador está supervisionando a construção de uma nova Estrela da Morte. Enquanto isso Luke Skywalker liberta Hans Solo e a Princesa Leia das mãos de Jaba, o pior bandido das galáxias. Luke só se tornará um cavaleiro jedi quando destruir Darth Vader, que ainda pretende atraí-lo para o lado negro da "Força". No entanto a luta entre os dois vai revelar um inesperado segredo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Revista elege os 500 melhores filmes do cinema


Em pesquisa realizada pela revista norte-americana especializada Empire, foram definidos os 500 melhores filmes já produzidos em todos os tempos. Para a eleição foram levadas em conta as opiniões de 10.000 leitores, 150 especialistas de Hollywood e 50 críticos da arte. Confira a lista completa aqui.

Ocupando os primeiros lugares da seleção estão três campeões de bilheteria que, cada um a sua maneira e tempo, revolucionaram o modo de fazer cinema. O primeiro lugar é ocupado pelo “O Poderoso Chefão” (1972), obra-prima do diretor Francis Ford Coppola (“Drácula de Bram Stoker”) que inclusive, é considerado em muitas pesquisas como o melhor filme do cinema.

Responsável por firmar ao público e ao meio artístico o talento de Al Pacino (“88 Minutos”), o longa traz no papel do poderoso padrinho e patriarca da família Corleone, o astro Marlon Brando (“Superman – O Filme”). Baseado na literatura de Mario Puzo, o primeiro longa da trilogia, faturou na época US$ 245 milhões com um orçamento de apenas US$ 6 milhões. No Oscar, ganhou 3 estatuetas.

O segundo lugar no pódio ficou com o professor de arqueologia Henry Jones Júnior, mais conhecido como Indiana Jones. “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981), primeiro filme da quadrilogia do personagem, é dirigido por Steven Spielberg (“E.T. – O Extraterrestre”) e tem George Lucas (“Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma”) envolvido no roteiro. Estrelado por Harrison Ford (“Firewall – Segurança em Risco”) o longa foi vencedor de 4 Oscars.

Em terceiro está “Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca” (1980), segundo filme produzido da série de fantasia espacial criada por George Lucas. A ficção é responsável por um dos mais duradores modismos já existentes. Desde a primeira aventura, em 1977, até os dias atuais, a franquia já virou game, história em quadrinhos, jogos de tabuleiro, objetos de decoração, brinquedos e vestuário.

Da quarta posição até a décima, estão “Um Sonho de Liberdade” (1994), “Tubarão” (1975), “Os Bons Companheiros” (1990), “Apocalypse Now” (1979), “Cantando na Chuva” (1952), “Pulp Fiction – Tempos de Violência” (1994) e “Clube da Luta” (1999).

Confira abaixo a lista dos 50 primeiros filmes da eleição. A lista completa está no site da 'Empire'.

1. "O podereso chefão", de Francis Ford Coppola (1972)

2. "Indiana Jones Os caçadores da arca perdida", de Steven Spielberg (1981)

3. "Star Wars: O império contra-ataca", de Irvin Kershner (1980)

4. "Um sonho de liberdade", de Frank Darabont (1994)

5. "Tubarão", de Steven Spielberg (1975)

6. "Os bons companheiros", de Martin Scorsese (1990)

7. "Apocalipse Now", de Francis Ford Coppola (1979)

8. "Cantando na chuva", de Stanley Donen e Gene Kelly (1952)

9. "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino (1994)

10. "Clube da luta", de David Fincher (1999)

11. "Touro indomável", de Martin Scorsese (1980)
12. "Se meu apartamento falasse", de Billy Wilder (1960)
13. "Chinatown", de Roman Polanski (1974)
14. "Era uma vez no Oeste", de Sergio Leone (1968)
15. "O cavaleiro das trevas", de Christopher Nolan (2007)
16. "2001: Uma odisséia no espaço", Stanley Kubrick (1968)
17. "Taxi Driver", de Martin Scorsese (1976)
18. "Casablanca", de Michael Curtiz (1942)
19. "O poderoso chefão - Parte II", de Francis Ford Coppola (1974)
20. "Blade Runner", de Ridley Scott (1982)
21. "O terceiro homem", de Carol Reed (1949)
22. "Star Wars: Uma nova esperança", de George Lucas (1977)
23. "De volta para o futuro", de Robert Zemeckis (1985)
24. "O senhor dos anéis: A sociedade do anel", Peter Jackson (2001)
25. "Três homens em conflito", de Sergio Leone (1967)
26. "Dr. Fantástico", Stanley Kubrick (1964)
27. "Quanto mais quente melhor", de Billy Wilder (1959)
28. "Cidadão Kane", de Orson Welles (1941)
29. "Duro de matar", de John McTiernan (1988)
30. "Aliens - O resgate", de James Cameron (1986)
31. "E o vento levou", de Victor Fleming, George Cukor e Sam Wood (1939)
32. "Butch Cassidy", de George Roy Hill (1969)
33. "Alien - O oitavo passageiro", de Ridley Scott (1979)
34. "O senhor dos anéis: O retorno do rei", de Peter Jackson (2003)
35. "Exterminador do futuro 2", de James Cameron (1991)
36. "Andrei Rublev", de Andrei Tarkovsky (1969)
37. "Laranja mecânica", de Stanley Kubrick (1971)
38. "Fogo contra fogo", de Michael Mann (1995)
39. "Matrix", dos irmãos Wachowski (1999)
40. "Um corpo que cai", de Alfred Hitchcock (1958)
41. "Os incompreendidos", de François Truffaut (1959)
42. "As oito vítimas", de Robert Hamer (1949)
43. "O grande Lebowski", dos irmãos Coen (1998)
44. "A lista de Schindler", de Steven Spielberg (1993)
45. "Psicose", de Alfred Hitchcock (1960)
46. "Sindicato dos ladrões", de Elia Kazan (1954)
47. "E.T. - O extraterrestre", de Steven Spielberg (1982)
48. "This Is Spinal Tap", de Rob Reiner (1984)
49. "Evil Dead 2", de Sam Raimi (1987)
50. "Os sete samurais", de Akira Kurosawa (1954)

sábado, 23 de agosto de 2008

Um Beijo Roubado


Mais uma obra do diretor chinês Wong Kar-Wai (Dias Selvagens, Amor à Flor da Pele, 2046), agora com um elenco Hollywoodiano e a surpreendente participação da cantora estreante no cinema Norah Jones como a protagonista Lizzy (Elizabeth) que ao ver sua vida amorosa desmoronar após seu namorado tê-la trocado por outra, resolve estar cada vez mais longe de onde tudo começou como uma forma de achar as respostas e uma solução para tudo que lhe ocorreu.

Em sua “fuga” pelas estradas americanas ela acaba conhecendo outras pessoas que também vivem dilemas em suas vidas com relação ao amor e aprende que o respeito, a dor e a confiança são alguns dos sentimentos que sempre estarão relacionados ao amor.

Tudo isso envolvido com uma excelente trilha sonora de Shigeru Umebayashi (responsável por trilhas como Amor à Flor da Pele e 2046 também em parceria do diretor Wong Kar-Wai e O Clã das Adagas Voadoras e O Mestre das Armas entre outras), uma mistura deliciosa e viciante como sorvete com torta de Blueberry.

No inicio vemos Elizabeth ir ao bar de Jeremy (Jude Law, Closet – Perto Demais) procurar por seu namorado que mora ali perto, ao questionar o dono do bar se o havia visto ela é informada que ele esteve lá na noite anterior com sua “namorada”, Lizzy enfurecida deixa as chaves do apartamento do namorado com Jeremy para que as entregue quando “alguém” for procurar por ela.

Ao retornar ao bar para saber se sua chave tinha sido procurada inicia-se uma amizade com Jeremy que lhe apresenta a torta de Blueberry que tem um gosto peculiar que quase nunca é experimentada por seus clientes, mas Lizzy é fisgada por ela. Suas visitas ao bar se tornam freqüentes e numa delas percebe que existem vários outros conjuntos de chaves juntos a sua e que cada uma delas tem uma história de amor própria.

Elizabeth se assusta quando percebe que Jeremy sempre a espera no mesmo horário e reserva o mesmo lugar e o mesmo prato todas as noites. Isso a amedronta e a faz fugir, retornando logo após depois de sofrer um assalto, nesta mesma noite ela adormece no balcão do bar e Jeremy a surpreende ao limpar sua boca suja de torta de Blueberry.

Lizzy resolve dar inicio a sua busca, primeiro vai a Memphis, Tennessee onde mantém dois empregos como garçonete alegando precisar de dinheiro para poder comprar um carro. Um de seus clientes o policial Arnie (David Strathairn, Boa Noite e Boa Sorte) que usa como fuga o álcool por sofrer a perda do amor de sua mulher Sue Lynne (Rachel Weisz, O Jardineiro Fiel), uma mulher fascinante e que também está em conflitos com seus sentimentos.

Neste momento do filme a personagem de Norah Jones é apenas uma observadora da vida de seus clientes, por isso o diretor sempre a apresenta de uma maneira simples, com poucas palavras e mais atenta aos fatos aos seu redor, com seus cabelos presos, aparentemente sem maquiagem e roupas de serviço, deixando a cena ser roubada por Sue Lynne, uma mulher deslumbrante, visualmente perfeita mas com muitos conflitos internos que também resolve seguir os caminhos de Lizzy indo em busca de suas respostas.

Enquanto isso Lizzy mantém contato com Jeremy através de postais que ele recebe sem saber o real endereço de onde ela está, fato este que o deixa paranóico, tentando através de listas telefônicas conseguir encontrá-la.

Já em Arizona, trabalhando em uma casa de apostas Lizzy conhece Leslie (Natalie Portman, V de Vingança) uma linda jogadora de pôquer, jogo este que ela usa como modo de fugir, pois traz consigo um conflito não resolvido com seu pai, o responsável por lhe ensinar tudo sobre o jogo, isto a faz se tornar uma pessoa incrédula com relação as outras pessoas, sempre se deixando confiar no seu instinto de conseguir ler as pessoas como a um jogo de cartas, Leslie também é uma personagem extremamente sexy vivendo em conflitos com seus sentimentos, enquanto Elizabeth, sendo apresentada com sua beleza conservadora, é uma pessoa totalmente diferente de Leslie com relação ao que esperam encontrar nas pessoas. Ambas se unem e vão em busca de suas respostas.

Depois de quase um ano ela retorna por onde deu inicio a sua busca, mudada, amadurecida, ela vai ao bar rever Jeremy, senta em seu lugar reservado e come sua torta de Blueberry, Lizzy se vê pronta, não com todas as respostas mas consciente que pode iniciar um novo começo, pois ela cruzou todo o pais e percebeu que bastou cruzar a rua para encontrar o que realmente precisava.

Coincidentemente, mas não por acaso, ela apresenta-se com sua sensualidade aflorada, seu visual demonstra sua autoconfiança e agora ela é a mulher observada. O diretor conseguiu nas cenas finais fazer com que os atores flertassem de uma maneira verdadeira, deliciosa e impossível ao terminar de ver o filme não sentir uma vontade (necessidade) enorme de Beijar na boca, mas Beijar com B maiúsculo de verdade, quente e gostoso, um Beijo verdadeiro... mesmo que seja um Beijo Roubado, pois como eu disse tem que ser tão viciante como uma bela torta de Blueberry com sorvete.


Paradise Now


O terceiro filme do diretor Hany Abu-Assad, o primeiro sendo o “Het 14e Kippetje” (1998) e o segundo “O Casamento de Rana” (2002) se tornando internacionalmente conhecido após ele, nos ajuda a desmistificar entre outras coisas essa visão errônea que alguns de nós ocidentais temos do povo que vive no Oriente Médio, pois na nossa imagem acreditamos que são pessoas frias, cruéis e egoístas, verdadeiros monstros terroristas e autoritários que estão “preparados” para qualquer atrocidade a qualquer momento.

Os personagens Said (Kais Nashif) e Khaled (Ali Suliman), ambos palestinos residindo na Cisjordânia, escolhidos para serem homens-bomba num ataque suicida, mostram durante o filme suas convicções e duvidas sobre a legitimidade da ação e sobre o fato de que vitimas inocente morrerão no atentado a Tel Aviv.

Said e Khaled são dois amigos e como é mostrado no inicio possuem umas vidas normais trabalham numa oficina mecânica onde são cobrados por um chefe exigente e tendo que lidar com os clientes impertinentes, nos intervalos conversam sobre assuntos normais para qualquer jovem, bebem chá e se drogam e Said ainda tem um flerte com uma cliente da oficina, Susha (Lubna Azabal) uma pacifista que viveu um tempo fora após a morte do pai, este um mártir, tudo aparentemente normal na vida normal dos amigos, até a visita de um amigo deles do grupo palestino extremista, informando que a vez deles chegou e eles terão mais uma noite para passarem cada um com sua família e se despedirem delas sem demonstrarem o que realmente fará no dia seguinte, nesta parte percebemos o carinho e conflitos que eles possuem em casa, famílias humildes que sofrem as conseqüências dos conflitos da região.

No dia seguinte são levados para serem “preparados” para o ato a que foram convocados, cortam os cabelos e barbas e ganham roupas para não chamarem a atenção como palestinos, no momento de gravarem os depoimentos , pois se tornarão mártires e terão suas fitas e fotos encontradas facilmente no mercado para que o povo os idolatrem, levam este momento com certa despretensão, fazendo piadas e poses com as armas em frente a filmadora, na verdade não conseguindo expressar-se com palavras que demonstrem sobre o porque de seus atos.

Ao chegarem à fronteira um imprevisto ocorre, separando os dois amigos, ambos neste momento com bombas escondidas pelos seus corpos, tentam encontrar-se antes que a situação fique fora de controle, agora ela avaliará suas convicções e rápido, enquanto estão circulando pela cidade ainda com as bombas pelo corpo se vêem perdidos, indefesos e não mais com a certeza que demonstravam ter no inicio, Khaled encontra Susha, a pacifista que tem um affair com Said, ambos tentam desesperadamente encontrá-lo, e quando os três estão reunidos Susha tenta convencê-los, pois a atitude tomada por eles não é a melhor maneira de mostrar ao mundo o que esta acontecendo e nem de resolver os problemas, ela conseguira convencê-los? , será tarde demais para eles desistirem? , será que eles querem desistir? .

Os dois protagonistas possuem vários conflitos internos, pois alem de terem como motivação a vingança pela ocupação israelense na Cisjordânia, há a recompensa divina, eles receberão após o ato suicida que irão realizar algo muito respeitado pelos palestinos, eles também tem motivos particulares, como o fato de um deles, Khaled, ter o pai trabalhado como espião de Israel, mas existe o outro lado, a duvida, e o filme mostra a duvida que qualquer ser humano tenha quando chega o momento de decidir se devem levar adiante seus ideais independentes das conseqüências que ela ira trazer a ele, as pessoas próximas a ele e ao resto do mundo, pois serão responsáveis pelo ato final, se tornarão mártires, serão conhecidos e acreditam que também ajudarão seu povo há viver um dia num mundo melhor.

Podemos não concordar com seus atos, mas temos pelo menos que tentar entender seus motivos, o porquê fazem e como eles querem que eles reflitam aos olhos do mundo, pois “eles não tem nada a perder se sua existência nada lhe traz de promissor”.

O diretor, um palestino radicado na Holanda com participação no roteiro ao lado de Bero Beyer e Pierre Hodgson, rodou todo o filme nos territórios em conflitos e teve as filmagens interrompidas todos os dias por estar sempre no meio de tiros e bombas, tendo ate que lidar com o fato de alguns membros da equipe de filmagem, alemães, não voltar mais depois de uma das interrupções após uma bomba explodir próximo a eles, outro ponto positivo do diretor é que ele mostrou o contraste entre as cidades envolvidas no filme, o luxo de Tel Aviv e a miséria da cidade palestina.

Este filme ganhador do Globo de Ouro 2006 por filme estrangeiro, não foi recebido como bons olhos em Israel tendo sido boicotado pelas principais redes de cinema no Estado Judeu, ficando limitado a passar nas salas de cinemas independentes, mesmo parte do marketing do filme ter sido pago por um fundo de artes do governo israelense e talvez não convença o conservador escalão hollywoodiano a lhe darem o Oscar, mas há indicação este ano já abrira portas importantes tanto ao competente diretor como ao assunto abordado no filme.

Um filme difícil, ainda mais porque o diretor só mostrou um lado do conflito, mas teve a maestria de se preocupar em mostrar o lado humano, assista a este belo filme e talvez você olhe de maneira diferente para este pedaço tão pequeno mais tão importante do mapa mundial e não caia na lavagem cerebral feita pelos americanos após o atentado de 11 de setembro, como por exemplo, a série de TV “24 Horas” que embora seja bem feito só ajuda a aumentar o pânico dos americanos após o ocorrido em seu país.

Saneamento Básico - O Filme


Sensacional filme de Jorge Furtado (Meu Tio Matou Um Cara, O Homem Que Copiava e Houve Uma Vez Dois Verões), que consegue retratar em “um simples” filme toda a complexidade em se fazer cinema no Brasil, um filme que não fala apenas de cinema e sim dos sonhos, da corrupção do sistema governamental, da pureza das pessoas que lutam por seus direitos, assim é Saneamento Básico.

Na comunidade da Linha Cristal, uma pequena vila de descendentes de colonos italianos na serra gaúcha, reúne-se para tomar providências sobre a construção de uma fossa (ou fosso) para o tratamento do esgoto. Uma comissão é escolhida para pleitear a obra junto à sub prefeitura. Após ouvir a reivindicação, a secretária da prefeitura reconhece a legitimidade da solicitação, mas afirma que não dispõe de verbas para obras de saneamento básico até o final do ano. No entanto, a prefeitura tem quase dez mil em verbas para a produção de um vídeo. A verba veio do governo federal e, se não for gasta, terá que ser devolvida. A comunidade decide então fazer um vídeo sobre a obra. A prefeitura apóia a idéia da realização do vídeo e da utilização da verba para a obra, que seria um absurdo devolver, mas esclarece que, para requerer a verba, a comunidade deve apresentar um roteiro e um projeto do vídeo, e que a verba era necessariamente para obras de ficção. Os moradores da Linha Cristal passam então a fazer um vídeo de ficção que, segundo interpretações, é um filme de monstro, ambientado nas obras de construção de uma fossa, com o único objetivo de usar a verba para as obras. O que eles não esperavam é que a produção do vídeo fosse se tornando cada vez mais complexa e interessante.

Com um elenco de grandes atores nacionais como Lázaro Ramos, Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Camila Pitanga, Bruno Garcia, Paulo José e Tonico Pereira, o diretor Jorge Furtado consegue de uma maneira divertida mostrar como é difícil fazer com que seus direitos como cidadãos sejam cumpridos, o desleixo das autoridades as condições básicas de moradia a população são mostrados na incapacidade (boa vontade) de uma prefeitura em criar uma fossa e como esses mesmos despreocupados governantes se aproveitam para ganhar prestigio posando como criadores do feito após o trabalho duro dos moradores da vila.

A simplicidade dos moradores em criar um filme de “ficção” para conseguir o dinheiro necessário para a criação da fossa é fascinante, são como ingênuos jovens idealistas querendo fazer arte e mesmo com poucos recursos tanto financeiros como de bagagem cultural conseguem financiadores para o filme (qualquer semelhança com o cinema nacional é mera coincidência) o apelo comercial posto na parte da edição também mostra que o cinema não sobrevive só de ideais e dividir os louros com os mesmos despreocupados do inicio talvez ajude futuramente, pois fica evidente o jogo de interesse após a conclusão do filme.

Cuidado ao assistir, pois as sutilezas das alfinetadas não poupam ninguém, se você se sentir atingido, primeiro ria, depois reflita...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Revista elege as melhores canções de filmes dos anos 80


A revista Rolling Stone norte-americana elegeu em sua nova edição as melhores canções de filmes dos anos 80.

A canção Don't You Forget About Me, do Simple Minds, ocupa o topo do ranking. Ela está presente no filme Clube dos Cinco (1985).

Em seguida, Prince aparece como intérprete de Purple Rain, do filme de mesmo nome, de 1984.

Entre muitos outros, estão na lista temas dos Berlin, Survivor, Madonna e Duran Duran.

Confira os 20 nomes do ranking:

1. Don't You Forget About Me, Simple Minds (Clube dos Cinco)


2. Purple Rain, do Prince (Purple Rain)


3. Eye of the Tiger, do Survivor (Rocky III)


4. Take My Breath Away, do Berlin (Top Gun)


5. You're The Best Around, do Joe Esposito (Karate Kid )


6. I've Had the Time of My Life, de Bill Medley & Jennifer Warnes (Dirty Dancing)


7. Holiday Road, de Lindsey Buckingham (Que Paródia de Férias)


8. In Your Eyes, do Peter Gabriel (Digam o que Quiserem )


9. Oh Yeah, do Yello (Curtindo A Vida Adoidado)


10. Danger Zone, do Kenny Loggins (Top Gun)




quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Escola Soviética de Montagem - 1

Da revolução à arte, da arte à revolução

Em 4 de maio de 1896, cinco meses depois da primeira projeção pública do cinematografh, o incipiente mundo do cinema alcançou a Rússia, através da exibição de um curta-metragem dos irmãos Lumière, que mostrava cenas da vida cotidiana na França. Em pouco tempo, surgiram dezenas de salas de projeção em São Petersburgo e Moscou, patrocinadas pelas companhias cinematográficas francesas (Pathé e Gaumont), conseqüência do processo de penetração de capital francês na economia russa, iniciado em finais do século XIX. Nesse primeiro momento, o cinema produzido na Rússia se limitava ao registro de cenas da vida familiar e cerimonial do Czar Nicolau II. Em 1908, foi realizada a primeira película de ficção russa: Stenka Razin, de dez minutos de duração. Em 1911, foi concluído o primeiro longa-metragem produzido em território nacional — A defesa de Sebastopol —, dirigido pelo cineasta Vassili Gontxarov, que tratava da Guerra da Criméia. De 1911 a 1917, a produção de filmes russos cresceu consideravelmente, sobretudo no período da Primeira Guerra Mundial, com a realização de centenas de filmes patrióticos. O cinema pré-revolucionário se caracterizava pela imitação dos estilos ocidentais e pela adoção do realismo e da linearidade como elementos centrais.


Aleksandr Dovhzenko


A Revolução Bolchevique, em 1917, abriu novas perspectivas para a arte na União Soviética, principalmente na esfera cinematográfica. Com o movimento de Outubro, surgiu uma nova estética revolucionária: a arte foi convertida na materialização do espírito da Revolução. Os jovens artistas deram início à contestação da arte burguesa e proclamaram o direito das massas a terem acesso à cultura. As formas tradicionais de cinema foram rejeitadas. Ao realismo burguês, eles propuseram métodos completamente inovadores. Nesse momento, a arte passou a ser concebida também como um instrumento para a edificação e consolidação do socialismo, cuja função seria educar o espírito do povo. A obra de arte deixou de ser uma obra individual, uma propriedade privada, orientando-se para a mobilização das massas. Ao cinema, caberia um papel de destaque nessa tarefa educacional da arte, visto que a grande maioria da população russa era analfabeta. Pela primeira vez, um Estado consagrava o cinema enquanto arte e lhe atribuía um lugar tão destacado.


Vsevolod Pudovkin


Em 1917, foi criado o Comissariado do Povo para a Instrução Pública (Narkomprost), sob a direção de Lunacharsky e, em 1918, foi aberta uma subseção de cinema (Kinopotdel), que ficou sob a supervisão de Krupskaia, mulher de Lenin. Um ano depois, toda a produção cinematográfica foi nacionalizada.

A conjuntura político-econômica do recente Estado Operário era extremamente difícil. Em meio à guerra civil, a situação de fome e desespero se alastrava pelo país. Os antigos cineastas haviam emigrado para a França, Alemanha e EUA e faltavam recursos para novas produções. Não obstante toda a precariedade técnica e a carestia de material, começou a se desenvolver um novo cinema na Rússia, inicialmente voltado para a propaganda nas frentes de batalha (Agiptrop e Agitki). A carência de rolos de filmes virgens fazia com que fossem aproveitados pequenos pedaços não revelados, que eram compostos através da técnica da montagem. Essa experiência foi de suma importância para o desabrochar de um movimento cinematográfico inovador que iria revolucionar as técnicas de cinema na União Soviética e no mundo todo. Dessa explosão inicial, emergiram grandes cineastas como Lev Kuleshov - Aventuras Extraordinárias de Mister West no País dos Bolcheviques (24) Po Zakonu (26); Vsevolod Pudovkin - A Mãe (24), Tempestade Sobre a Ásia (28); Dziga Vertov - Câmera Olho - Réquiem a Lenin (24), Um Homem Com Uma Câmera (29); Aleksandr DovzhenkoArsenal (28), Terra (30) e Sergei Eisenstein - A Greve (24),O Encouraçado Potemkin (25), Outubro (27), O Velho e o Novo / A Linha Geral (30), Que Viva México! (32), Alexander Nevsky (38), Ivan o Terrível - Parte I (44), Ivan o Terrível - Parte II (48). Toda essa geração de artistas recebeu uma forte influência das vanguardas européias do início do século e, em especial, do futurismo, que muito contribuiu para a construção da nova arte.

Po Zakonu(26)


Com o fim da guerra e a superação da crise, esse movimento teve as condições materiais básicas para crescer e se desenvolver. Um dos elementos mais importantes nesse processo inicial de criação foi a existência da liberdade de ação e de expressão reinante no universo da arte. Tal condição foi garantida pela postura de Lunacharsky e de alguns líderes bolcheviques. O Estado tinha consciência da importância ideológica da arte e, em especial do cinema, e buscava transformá-la em um instrumento para a construção do socialismo. Mas, ao mesmo tempo, também percebia o valor e o significado da liberdade criadora artística. De todos os dirigentes bolcheviques, Trotsky foi aquele que mais radicalmente defendeu essas duas perspectivas. Em 1923, ele fez a seguinte afirmação:

O fato de, até agora, não termos ainda dominado o cinema prova até que ponto somos desastrados e incultos, para não dizer idiotas. O cinema é um instrumento que se impõe por si só, ele é o melhor instrumento de propaganda

A Mãe (24)


Entretanto, ele acreditava que a utilização do cinema como instrumento de propaganda deveria se dar não como conseqüência de uma imposição do Estado, mas como resultado de uma opção conscientemente revolucionária dos cineastas. No domínio da arte, defendia a total liberdade de criação. É isso que nos confirma Maurice Nadeau no prefácio da obra de Trotsky, Literatura e Revolução:

Fora de critérios categóricos: "a favor ou contra a revolução", a política do Partido — e Trotsky a fórmula sem ambigüidades — resumia-se em um princípio: "liberdade total de autodeterminação no domínio da arte".

Câmera Olho - Réquiem a Lenin (24)


No período posterior à morte de Lenin, essa posição foi sendo, progressivamente, suplantada pelo dirigismo partidário, culminando com a consolidação do realismo socialista nos anos trinta. Os artistas, por sua vez, tornaram-se completamente vulneráveis às pressões do Estado. Este também foi o destino de Sergei Eisenstein. O filme Traição na Campina (35) o mais belo e lírico filme de Eisenstein. Por causa dele o diretor foi banido pelos oficiais de Stalin em 1937 e as cópias do filme foram destruídas pelas bombas nazistas na 2ª Guerra. Somente com os fantásticos stills, imagens e frames que sobreviveram da montagem original, conseguiu-se reconstituir meticulosamente, os 30 min. baseados no roteiro original. Totalmente proibido na URSS, este filme é obra da abnegação e coragem daqueles que arriscaram a vida para preservar o material que permitiu esta montagem.



Eisenstein segue o curso da história

Nascido na cidade de Riga, em fins do século XIX, Eisenstein passou a infância e a adolescência distante da agitação política da Rússia pré-revolucionária. Ao completar 17 anos, mudou-se para Petrogrado para ingressar no curso de engenharia civil, pretendendo seguir a carreira profissional do pai. Durante os dois anos que permaneceu no Instituto dos Engenheiros Civis, desenvolveu o gosto pelo raciocínio lógico, que lhe seria útil alguns anos mais tarde no processo de elaboração de suas teorias cinematográficas. Foi também nesse período que ele iniciou os primeiros contatos com o mundo da arte e da política.


Que Viva México (32)


Em 1917, foi convocado para prestar o serviço militar, alistando-se na Escola Preparatória para Oficiais. Seu destacamento foi enviado para o front em agosto. Nesse momento, Eisenstein deu os primeiros passos no sentido de unir a arte aos ideais revolucionários. Ele tornou-se bastante conhecido no exército, em função das caricaturas que fazia sobre o Governo Provisório.

Após a tomada do poder pelos Bolcheviques e o início da guerra civil, Eisenstein ingressou como voluntário no Exército Vermelho, partindo logo depois para combate no front Noroeste. Sua maior contribuição durante a guerra foi organizar grupos teatrais de propaganda engajada, cujas peças eram exibidas aos soldados. Ao retornar, abraçou definitivamente a vida artística, tornando-se, em 1920, ator, diretor e cenógrafo do Primeiro Teatro Operário, o Proletcult.



Ainda no teatro, Eisenstein começou a formular as teorias que comporiam a base de sua linguagem cinematográfica. Como a maior parte dos artistas dessa época, Eisenstein estava de pleno acordo com o princípio da utilidade revolucionária da arte. Defendendo a aplicação do método marxista à arte, desejava a união desta com a política, a ciência e a história, lutando pela criação de uma arte totalizante, pela corporificação da idéia da realização da unidade. Dentro dessa linha de pensamento, foi elaborando a teoria da montagem, que estruturaria toda a sua obra ulterior. Compreendendo que o teatro impunha certos limites à aplicação da montagem, logo ingressou no universo cinematográfico. Em 1923, realizou seu primeiro filme (um curta-metragem) — O cinediário de Glumov —, caricatura da classe dominante às vésperas da Revolução. Um ano depois, dirigiu seu primeiro sucesso: A greve.


A Greve (24)


A greve surgiu como resultado da transformação de um projeto inicial, intitulado Em direção à ditadura, que visava refletir, através de sete episódios, as mudanças transcorridas na Rússia entre 1900 e 1917. Sua versão final se concentrou na história de uma greve, ocorrida em 1912, duramente reprimida pelas forças czaristas. Na verdade, o filme não contém uma narração linear dos acontecimentos, com intrigas e personagens principais. Trata-se de uma demonstração da força contagiante das massas em revolta. Seu objetivo, nunca negado pelo autor, era propagar o espírito revolucionário, assim como a sua necessidade histórica. Considerado como o primeiro filme proletário, a película obteve uma grande aceitação nos setores governamentais e na intelectualidade soviética.


A greve já contém os elementos teóricos daquilo que Eisenstein chamou de "montagem de atrações". Experiências anteriores já haviam comprovado que a justaposição de dois elementos numa película poderia criar uma nova significação completamente distinta dos significados originais de cada elemento. Esse processo de manipulação de imagens, alcançado através da montagem, passou a ser utilizado voluntariamente pelos diretores cinematográficos. Eisenstein desenvolveu esses princípios elementares da montagem, defendendo ainda a necessidade de momentos abaladores, impetuosos, chocantes (as atrações) que gerassem no espectador, através dos dispositivos emocionais, um efeito psicológico matematicamente calculado pelo autor. Esses "momentos abaladores" seriam conseguidos através da utilização da montagem e de recursos especiais como fortes contrastes, repetição e ritmo frenético das imagens e digressões simbólicas. Muitas de suas conclusões foram baseadas no princípio de condicionamento de Pavlov, nas técnicas de associação e de lavagem cerebral. Com Eisenstein, o cinema se transformou conscientemente em uma máquina-psicológica que, inicialmente, ficou a serviço da revolução. De acordo com os estudiosos Furhammar e Isaksson, as teorias eisensteinianas fizeram do diretor um ditador que aprisionou o espectador, acabando por formular os princípios básicos dos filmes de propaganda que se baseiam na idéia de que

... através da manipulação da imagem cinematográfica da realidade é possível também se manipular os "conceitos" do espectador sobre a realidade — isto é, os conceitos sobre os quais fundamenta suas atitudes e ações.


Apesar dessas conclusões não serem de todo equivocadas, elas apresentam uma visão parcial da questão, visto que não se trata apenas de compreender que o cinema proposto por Eisenstein visava a fins propagandísticos, o que o próprio autor não escondia, mas sim de analisar esse elemento dentro de uma concepção geral de arte que, de forma alguma, se limitava à propaganda.

Todas as aplicações teóricas realizadas em A greve foram novamente adotadas no segundo filme de EisensteinO Encouraçado Potemkin, dessa vez de forma muito mais elaborada e consistente. Encomendado pelo Estado Soviético para a comemoração do vigésimo aniversário da Revolução de 1905, Potemkin assegurou para Eisenstein o maior sucesso de sua carreira artística e mesmo da história do cinema soviético. Ele foi aplaudido entusiasticamente pelos revolucionários de toda a Europa Ocidental, assim como pela intelligentsia e pelos dirigentes soviéticos. Essa recepção foi resultado, em parte, da perfeição plástica do filme e, principalmente, da força do espírito revolucionário que ele transmitia. É o que depreende Sadoul, por exemplo, quando afirma que

... o sucesso da obra deveu-se sem dúvida a uma forma e uma perfeição inegáveis, mas sobretudo ao calor humano e a fé entusiástica que impulsionavam um tema revolucionário jamais abordado na tela.

O Encouraçado Potemkin (25)



O filme tem como tema a revolta dos marinheiros de um encouraçado, Potemkin, contra a opressão a que estavam submetidos. Esse motim, na realidade, foi um dos acontecimentos que marcaram o movimento revolucionário de 1905, que, inclusive, não se encontrava presente na historiografia oficial da União Soviética. Para a produção do filme, Eisenstein teve que realizar um duro trabalho de pesquisa histórica: buscar vestígios, colher depoimentos, consultar a documentação oficial, construindo assim sua imagem do acontecimento. Nas filmagens, ele não utilizou atores profissionais, procurando, ao máximo, aproximar-se do espírito de 1905, ainda vivo na memória de muitos habitantes da cidade. O filme conseguiu documentar não apenas um acontecimento isolado, o motim dos marinheiros do Potemkin, mas a Revolução de 1905 como um todo, a situação de degradação, de opressão, de miséria da população russa e de todos os povos que se encontravam historicamente subjugados. O Encouraçado Potemkin proclama, em última análise, a necessidade da revolução mundial, cujo primeiro passo havia sido dado pela Rússia em 1917.


Eisenstein

No entanto, Potemkin, assim como todos os filmes de Eisenstein, não conseguiu agradar ao grande público, às massas, que eram, na verdade, o grande herói das suas primeiras produções e a quem elas visavam alcançar. Isso se deveu, em grande medida, à complexidade da sua linguagem, que estava muito além das possibilidades de entendimento da população russa, composta, em sua maioria, por camponeses iletrados. De acordo com o historiador Arnold Hauser, pode-se dizer que

... o grande público não reage ao que é artisticamente bom ou ruim, mas às impressões pelas quais se sente tranqüilizado ou alarmado em sua própria esfera de existência. Interessa-se pelo que possui valor artístico, desde que seja apresentado em harmonia com sua mentalidade.

Eisenstein

Uma outra hipótese para a "rejeição" popular aos filmes de Eisenstein vincula-se à não aceitação da própria Revolução por grande parte da população camponesa. A tendência natural do espectador médio é apreciar apenas os filmes com os quais se identifica e que compartilham seus valores.

Mesmo não alcançando plenamente seu objetivo final, conscientizar as massas da necessidade da revolução e da construção do socialismo, esses dois filmes desempenharam um grande papel histórico na sociedade soviética. Eles marcaram a primeira fase da história da Rússia pós-1917, da tomada de poder, da luta pela consolidação interna da Revolução e pela sua expansão externa (revolução mundial) e da liberdade de criação. Enfim, essas duas películas registraram, com alto grau de sensibilidade e autenticidade, a existência de um espírito verdadeiramente revolucionário.


O Encouraçado Potemkin (25)


Paralelamente ao desenvolvimento do que poderíamos chamar de idade de ouro do cinema russo, a sociedade soviética assistia ao surgimento de forças contra-revolucionárias no interior do Partido Bolchevique. O isolamento da Revolução e as duras condições de sobrevivência do regime facilitaram a criação de uma casta burocrática que, pouco a pouco, foi usurpando o poder revolucionário e se afastando das massas. Esse processo de "degeneração burocrática", como o denominava Trotsky, foi liderado e conduzido por Joseph Stalin que, em 1922, havia se tornado Secretário Geral do Partido. A morte de Lenin, em 1924, acelerou o processo de burocratização do Estado soviético, pondo fim, definitivamente, à primeira fase da história da União Soviética, caracterizada pela existência de liberdade política. Iniciou-se um período de lutas internas pela sucessão do poder entre a velha guarda bolchevique, liderada por Trotsky, e o aparelho burocrático, conduzido por Stalin. Essa disputa verificou-se, no campo teórico, através da oposição das teorias da revolução mundial, defendida pelos bolcheviques, e a do Socialismo num só país, criação stalinista. Através do jogo político de bastidores e da aplicação do terror generalizado, Stalin conseguiu derrotar seus opositores, assegurando o poder em nome de uma classe privilegiada: os apparatchiks17. No entanto, isso não ocorreu de maneira instantânea e sem a reação de alguns setores da população, contrários à nova linha política do Partido. Somente nos anos trinta, após a dizimação completa da antiga liderança bolchevique e de todas as forças internas de oposição, Stalin conseguiu consolidar sua hegemonia.


O Encouraçado Potemkin (25)

Essas transformações no cenário político da União Soviética se refletiram violentamente nas manifestações artísticas e, em especial, no cinema. Lunacharsky foi substituído, segundo ordens de Stalin, por Boris Shumgatsy, homem de sua "confiança". Progressivamente, a atmosfera de liberdade artística foi cedendo lugar à censura, à repressão e à transformação da arte em um instrumento vulgar de glorificação do Partido, de sua política e, mais tarde de seu líder, Stalin. Com a adoção do realismo socialista, em 1934, essa política foi oficializada e tomada como dogma. O cinema passou a servir, de modo irrestrito, aos interesses da burocracia, limitando-se a se constituir em uma ferramenta de educação para o ensino do "socialismo". Na verdade, seu único objetivo tornou-se a exaltação do Partido e de seu líder. Muitos artistas que haviam participado ativamente da Revolução não suportaram conviver com essa atmosfera de terror e acabaram se suicidando, como Maiakovsky e Essenin.

Os cineastas não podiam mais escolher os temas de seus filmes e todos os detalhes de seu trabalho eram submetidos à apreciação do Partido. Cada roteiro, por exemplo, tinha que ser analisado por 28 repartições de censura antes de ser liberado. Sem falar da equipe de produção que era, muitas vezes, indicada por burocratas, sem nenhum critério de escolha que não o político rasteiro.


O Velho e o Novo / A Linha Geral (30)

Em 1927, quando já tinha iniciado as gravações de um filme sobre as fazendas coletivas, denominado, inicialmente, de O novo e o velho, Eisenstein teve que interromper seu trabalho para atender a uma solicitação do partido: realizar um filme sobre a Revolução de Outubro em vistas da comemoração do seu décimo aniversário. Para a produção, Eisenstein contou com abundantes recursos e com toda a infra-estrutura de que necessitou. O Palácio de Inverno ficou a sua disposição durante meses e, como havia racionamento de energia, a cidade de Leningrado teve que permanecer sem luz durante várias noites em função do filme.


O Velho e o Novo / A Linha Geral (30)


Outubro é uma película que, apesar de manter muitas das características dos filmes anteriores do diretor, já demonstra algumas transformações de estilo. Esse filme é o resultado da aplicação de um novo método de montagem elaborado pelo diretor, denominado de "montagem intelectual". Esse método visava a cinematização de conceitos abstratos, de fenômenos intelectuais e de teses logicamente formuladas. Uma película não teria por objetivo a narração de acontecimentos, mas sim de sistemas de noções que seriam apreendidos pelo espectador através do esforço intelectual, auxiliado por estimulantes visuais, auditivos e bio-motores. O grande sonho de Eisenstein, no que concerne ao cinema intelectual, era realizar um filme que retratasse nas telas O Capital de Marx, o que nunca foi permitido por Stalin.


Karl Marx


Outubro apresenta ao espectador alguns episódios que marcaram o período compreendido entre fevereiro e outubro de 1917. A participação do Partido Bolchevique é destacada, mas seu papel não é exaltado. A única liderança que se destaca é a de Lenin. Stalin não aparece no filme nenhuma vez. Na realidade, estamos nos referindo à versão oficial, posterior à censura. O filme original tinha quase três horas de duração: mais de uma hora de filme foi cortada, sobretudo as cenas nas quais Trotsky, Zinoviev e Kamenev apareciam. No único momento da versão final do filme em que Trotsky aparece, sua atuação é distorcida e apresentada de um ângulo negativo.

continua...